Crítica: “10 Horas para o Natal”

Ainda que não os sejam oficialmente, títulos de Natal bem que poderiam ser um gênero específico de filmes, dado o imenso alcance que têm para com o público em geral.

Seja com roteiro dramático – como “A Felicidade não se compra” (longa quase que obrigatório nos lares americanos nessa época) -, nitidamente cômico como “Férias Frustradas de Natal” (estrelado por Chevy Chase) ou criando clássicos imediatos como “Esqueceram de Mim”, não é difícil encontrar alguma obra com tema natalino nas listas de favoritos de várias pessoas.

Para a celebração da data em 2020, a novidade nos cinemas é a produção nacional “10 Horas para o Natal”, comédia dirigida por Chris D’Amato, que concentra todos os elementos – incluindo os bons, velhos e necessários clichês – para contar a história da família Silva.

Júlia, Miguel e Bia (Giulia Benite, Pedro Miranda e Lorena Queiroz, respectivamente) são três irmãos que veem as adoradas festas de fim de ano irem por água abaixo após a separação de seus pais, Marcos Henrique (Luis Lobianco) e Sônia (Karina Ramil). Embora tais ocasiões contassem com as controversas presenças de tias rabugentas e do “Tio do Pavê” (talvez uma das figuras mais emblemáticas da época), o trio sabia que os encontros eram parte importante na estrutura familiar.

Cansadas da distância física do pai e da pouca inventividade da mãe para proporcionar bons momentos festivos, as crianças decidem trazer o espírito natalino de volta. Para isso, embarcam em uma jornada repleta de aventuras em uma região que pode ser bastante desafiadora durante o mês de dezembro: a Rua 25 de Março, região de comércio popular localizada no coração de São Paulo.

Boa parte da narrativa se passa nesse cenário, com os irmãos em busca das melhores ofertas, para que possam adquirir itens de decoração, presentes para os familiares e ingredientes para ceia. Tudo com 50 reais. Missão complicada e que rende cenas divertidas.

Dentro do que se espera para um filme do tipo, a produção roteirizada por Ana Beatriz Crespo e Flávia Guimarães consegue ser muito agradável. A opção em colocar a personagem de Giulia Benite como uma espécie de narradora que conversa diretamente com o espectador (a famosa Quebra da Quarta Parede), aproxima os elementos em tela de quem está assistindo e faz com que a torcida para que dê tudo certo seja ainda maior.

De questionável, apenas a decisão de se mostrar que uma criança pode conseguir tudo que deseja no grito – literalmente. Por outro lado, há uma imensa sabedoria em trazer à tona a realidade de que é possível ser feliz fazendo parte de uma família que não mantém a “estrutura tradicional” tão debatida na sociedade atual.

O destaque fica para os momentos finais, quando “10 Horas para o Natal” entrega o que há de melhor em matéria de longas natalinos. E a comédia que têm bons momentos cômicos, mostra-se capaz também de emocionar os que ainda enxergam essa época com o encantamento que ela merece.

Vale conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.

Filed in: Cinema

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