Crítica: “10 Segundos para Vencer”

Em agosto de 1960, pela primeira vez na história do Brasil, um pugilista nascido no país lutava nos EUA, seu nome: Eder Jofre. Vencendo por nocaute o mexicano José Medel, começava sua escalada para se tornar um dos melhores pugilistas do Brasil, e quiçá do mundo – a publicação Ring Magazine, uma publicação de peso no mundo do Boxe, em 2002 colocou Jofre entre os top 20 dos 80 melhores boxeadores dos últimos 80 anos.

A partir daí , viria a ganhar o título de campeão mundial na categoria “Peso Galo”, que perderia algum tempo depois para o lutador japonês “Fighting” Harada, e por fim em 1973 consegue novamente o título de campeão mundial, porém em outra categoria, “Peso Pena”, um caso raro na história do boxe mundial.

“10 Segundos para Vencer”, é a homenagem do diretor José Alvarenga Jr. ao esportista. O filme conta a história de Eder Jofre, representado por Daniel Oliveira, de suas origens, mergulhadas no meio do boxe, sendo filho e sobrinho de pugilistas, a suas grandes vitórias, e derrotas; seus conflitos com seu pai e treinador, Kid Jofre, encarnado por Osmar Prado; o mal exemplo do tio, o ex-pugilista Zumbanão, encenado por Ricardo Gelli; e por fim os conflitos entre a rotina do boxe e seu casamento.

O longa busca uma identidade própria e o resultado, é um filme que deu certo e não fica parecendo uma versão brasileira de “Touro Indomável” ou “Rocky, Um Lutador”. A alternância entre filmagens de época com outras das lutas coreografadas funciona. Em conjunto com a fotografia bem-feita, com o particular bom uso das cores gerais das cenas, faz com que o título se equipare a alguns dos melhores no aspecto visual.

Além disso o roteiro é muito bem escrito, que mostra os aspectos positivos e negativos do treinamento do boxe, os dilemas dos desportistas, e as dificuldades que estes enfrentam nas vidas.

Mas o filme brilha principalmente por suas atuações: Daniel de Oliveira assume o papel de Eder Jofre, e transmite bem seus dramas. A interpretação de Osmar Prado (que graças a este filme ganhou o prêmio de “Melhor Ator” no 46º Festival de Cinema de Gramado) é estupenda, representando bem a disciplina “espartana” – nas palavras do próprio ator – e a rigidez do pai e treinador Kid Jofre.

E a química entre o ator veterano e Oliveira em faz com que o relacionamento entre Eder e Kid Jofre pareça  ainda mais vivo no filme do que apenas uma parte na narrativa. Ricardo Gelli, que representou o tio de Eder, Zumbanão, também tem uma participação louvável, representando a malandragem e a indisciplina do ex-pugilista, inclusive ganhou o prêmio de “Melhor Ator Coadjuvante” no mesmo festival.

Existem poucos pontos negativos e um deles é o sotaque: os personagens que falam inglês mantêm sotaque de brasileiro, e Osmar Prado não acertou completamente o sotaque de um argentino brasileiro – como alguém que convive com frequência com latino-americanos, não brasileiros, percebi bem essa questão. Além disso, alguns pontos da história ficam ligeiramente confusos, com cortes rápidos entre um momento e outro radicalmente distante no tempo. Ambos problemas são muito pequenos e não devem atrapalhar aos que assistirem.

“10 Segundos para Vencer” é uma homenagem magistral a um dos maiores pugilistas brasileiros. Um filme que relembra a história de um grande desportista brasileiro que está aos poucos sendo esquecida. Opção para fãs do esporte, para fãs de boas produções de cinema, e para quem quer ver um drama bem representado nas telas. José Alvarenga Jr. apesar de ser conhecido pelas inúmeras comédias em que trabalhou, mostrou que sabe conduzir histórias sérias e dramáticas.

por Ícaro Marques – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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