Crítica: “14 Dias, 12 Noites”

Concorrente canadense ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2021, “14 Dias, 12 Noites” (14 jours 12 nuits) do diretor e Jean-Philippe Duval consegue emocionar e surpreender com uma trama cosmopolita, que se passa essencialmente nas estonteantes paisagens da Tailândia, porém ainda sim é possível perceber no longa a sensibilidade e o capricho característico dos filmes franco-canadenses.

Acompanhamos a dramática história de Isabelle Brodeur (Anne Dorval), uma mulher canadense que havia adotado uma criança tailandesa há dezessete anos. Entretanto Clara, sua filha adotiva, infelizmente acaba morrendo em um acidente e após esse evento, Isabelle se propõe a viajar até a Tailândia e contar a Thuy Nguyen (Leanna Chea), mãe biológica da menina, o ocorrido.

Thuy trabalha como guia turística e é contratada por Isabelle, e conforme a narrativa avança, vamos conhecendo a cultura e as belezas da Tailândia por meio dessa tocante jornada entre duas mães de realidades completamente diferentes.

A fotografia e as paisagens são belíssimas, como não poderia ser diferente, e apesar de ser um filme ocidental ambientado em um país asiático, em momento algum os personagens e a cultura local se tornam estereótipos ou caricatos dentro da trama. Muito pelo contrário, por meio desses aspectos culturais únicos, a personagem Thuy ganha nuances e profundidades, tornando-se mais do que uma coadjuvante ou mesmo uma ferramenta narrativa, ela é tratada basicamente como uma co-protagonista junto com Isabelle.

A trama é tranquila e cadenciada, sem pressa para abordar a totalidade das motivações de cada personagem, mas ainda assim, efetiva quando se propõe a explorar as histórias das protagonistas. No momento em que elas se encontram no filme, a dramaticidade pode soar como apenas melodramática, entretanto acredito que esse artifício é válido se considerarmos o peso que o conflito narrativa possui, afinal a temática de perda familiar é sempre algo complexo e delicado de se abordar, ainda mais quando se trata de um(a) filho(a).

Algo que não se pode deixar passar, é o excelente trabalho de maquiagem e o design de produção que foi realizado nesse projeto. O envelhecimento dos personagens centrais no período de 18 anos em que se passa a história é assombroso e extremamente bem feito. Esse aspecto potencializa ainda mais a atuação de certos personagens, que conseguem convencer o público que de fato carregam o peso do tempo e da culpa em seus ombros após tudo que ocorreu em suas vidas.

“14 Dias, 12 Noites” é bem produzido, que está disponível na plataforma de streaming Cinema Virtual, conta com uma trama melancólica e uma narrativa agridoce. Para aqueles cinéfilos mais ávidos por uma dramaticidade competente, vai agradar e saciar a sede por um bom drama. Também recomendo a película para aqueles que gostam de roteiros que têm viagens como base, afinal, a forma criativa pela qual conhecemos a Tailândia por meio dessa história sobre duas mães é envolvente e tocante na medida certa.

por Marcel Melinski – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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