Crítica: A Felicidade é de Matar”

Em dias atuais, o conceito de felicidade se vê cada vez mais moldado por postagens em redes sociais, filtros em fotografias e declarações que não necessariamente têm a verdade como base.

Talvez por isso, boa parte das pessoas tenha se acostumado a uma normalidade que implica a diminuição do interesse em qualquer relação afetiva, conforme a passagem do tempo. Torna-se natural não sentir falta de um amigo querido que não se vê com frequência ou deixar a chama do amor entre um casal se apagar sob a pressão da rotina.

A trama de “A Felicidade é de Matar” (Happily) trata sobre essa questão de maneira que transita entre o divertido, o ácido e o inesperado. A comédia é estrelada por John McHale Kerry Bishé como Tom e Janet, que mesmo após um casamento de 14 anos, conseguem manter a relação aquecida, seja através de relações íntimas frequentes, brigas quase nulas (e que logo são resolvidas com o perdão mútuo), ou apenas pelo fato de parecerem se importar um com o outro verdadeiramente.

Tal atitude não é bem vista por seus amigos mais próximos que cultivam relacionamentos triviais – alguns por mera manutenção de aparências. O mais impressionante (assustador?) é que chega um ponto em que não fazem questão de esconder seu descontentamento (inveja?) e falam abertamente sobre isso com os protagonistas, que passam a questionar se os que os diferencia dos demais pode mesmo ser considerado um problema.

Para complicar ainda mais, um desconhecido de nome Mr. Goodman (Stephen Root) chega à casa de Tom e Janet, afirmando que sua maneira de agir representa uma espécie de “avaria” e faz uma estranha proposta para proporcionar uma “vida normal” a eles. O que, é óbvio, não tem a melhor receptividade por parte dos personagens.

Esse é o ponto em que o filme toma rumos totalmente inesperados e deixa de ser apenas uma comédia genérica para tornar-se palco para discussões bem mais profundas, no que diz respeito à vida em sociedade e todas as implicações de um relacionamento a dois.

A guinada no roteiro de Ben David Grabinski (que também assina direção do longa) torna tudo mais interessante e consegue manter a dúvida do espectador sobre determinados pontos, até os momentos finais, quando explicações surpreendem tanto quanto convencem.

O destaque fica para a diversificada trilha sonora que inclui as ótimas “Do you wanna funk?” de Patrick Cowley, passando por “People ain’t no good” de Nick Cave e “Tonight is what means to be young” de Fire Inc.

“A felicidade é de Matar” está disponível exclusivamente para compra e aluguel nas plataformas digitais em formato dublado e legendado no Claro Now, Vivo Play, iTunes/Apple TV, Google Play e YouTube Filmes com distribuição da Synapse Distribution.

por Angela Debellis

*Título assistido via streaming, a convite da Synapse Distribution.

Filed in: BD, DVD, Digital

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