Crítica: “A Maldição da Chorona”

A riqueza cultural presente nos mais diversos países do mundo é impressionante. O que em um primeiro momento pode parecer estranho aos olhos de alguns, para outros é parte de sua história e por isso mesmo deve ser respeitado por todos – ainda que o entendimento não se faça de forma unânime.

A figura que dá nome ao longa “A Maldição da Chorona” (The Curse of La Llorona) é protagonista de uma famosa lenda mexicana que através dos anos ganhou várias adaptações em detalhes da narrativa, mas que no geral conta a história de uma mulher que após a perda dos filhos e seu posterior falecimento, tem seu espírito vagando sem rumo sempre em busca de outras crianças.

Na produção dirigida por Michael Chaves, somos levados ao México no ano de 1673 e apresentados a uma moça considerada a mais bela de sua aldeia. Ao descobrir a traição do marido, ela decide lhe tirar seus bens mais preciosos: os dois filhos que teve com ele. Arrependida por afogar os garotos, a jovem também dá fim à própria vida e é condenada a se tornar um espírito errante que tem como marca o choro incessante e desesperado, pelo qual ganha a alcunha de “A Chorona”.

Há uma passagem de três séculos e a narrativa ganha como cenário os Estados Unidos de 1973. Nesse novo momento, a personagem principal é Anna Tate-Garcia (Linda Cardellini), uma assistente social que se torna precocemente viúva e se vê sozinha com a responsabilidade de cuidar de seus dois filhos pequenos, Chris e Samantha (Roman Christou e Jaynne-Lynne Kinchen).

Em um dos delicados casos com os quais precisa lidar em seu trabalho, ela se confronta com Patricia Velazquez (Patricia Alvarez) – cujo histórico de dependência alcóolica contribui para que ela seja acusada de maus tratos aos filhos Carlos e Tomas (Oliver Alexander e Aiden Lewandowski). Ao ignorar os argumentos desta mãe, de que estaria protegendo as crianças dos perigos da Chorona, Anna acaba condenando os garotos a um destino tão terrível quanto o descrito na lenda original.

A partir daí, a assistente que se declara não religiosa (demonstrando até mesmo certo grau exacerbado de ceticismo) precisará lutar pela própria segurança e de sua família, nem que para isso seja necessário recorrer a elementos pouco usuais – entenda-se Rafael Olvera (Raymond Cruz), ex-padre que se tornou uma espécie de curandeiro e que utiliza técnicas específicas para combater o mal, incluindo um ritual inusitado com ovos crus.

O longa consegue trabalhar sua iluminação de um jeito primoroso. Em dado momento é dito que A Chorona gosta da escuridão e esta é quase um personagem à parte em tela. Assim como também é competente a opção por recorrer à maquiagem tradicional para representar a entidade. Ao colocar em tela a figura simples de mulher com figurino tradicional da época em que surgiu a lenda (formado por um vestido branco e um véu que cobre seu rosto a maior parte do tempo), o terror torna-se mais visceral e crível – ainda que possa não ser bem aceito por parte do público que espera por algo mais intrincado.

Com direito a tiradas cômicas, principalmente do curandeiro Rafael, não há momentos de destaque em relação a sustos no longa que tem James Wan como um dos produtores. Mas a tensão constante e as incômodas inserções da personagem são suficientes para manter o interesse do público que também deve ficar atento a um inesperado easter-egg relacionado ao universo da franquia “Invocação do Mal”.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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