Crítica: “A Maldição da Freira”

Filmes de terror envolvendo exorcismos e com a participação ativa de freiras e / ou padres estão longe de serem inéditos. Bebendo dessa aparentemente inesgotável fonte, a diretora Aislinn Clarke (que também assina o roteiro ao lado de Martin Brennan e Michael B. Jackson) consegue, de maneira admirável, entregar uma produção que, se não é inovadora, pelo menos é eficiente.

A trama de “A Maldição da Freira” (The Devil’s Doorway) se passa na Irlanda em meados de 1960 e tem como cenário principal um dos chamados “Asilos de Madalena”, uma espécie de instituição criada pela Igreja Católica que acolhe mulheres em situações de extrema necessidade, que não têm a quem recorrer – como grávidas que se tornarão mães solteiras ou que tenham algum tipo de deficiência (física ou mental).

O local de aparência sombria é palco de estranhos acontecimentos que acometem as estátuas da Virgem Maria, presentes em grande número nos ambientes. Sem nenhuma explicação plausível à primeira vista, no início uma, depois todas as imagens começam a verter um líquido pelos olhos, que supostamente seria sangue humano. Para investigar tal mistério, dois padres são convocados pelo Vaticano a fim de constatar o milagre ou comprovar a farsa.

Os personagens, apesar de terem a mesma função, mostram-se com opiniões contrárias. Enquanto o jovem Padre John (Ciaran Flynn) parece disposto a acreditar que está presenciando um verdadeiro milagre, o veterano Padre Thomas (Lalor Roddy) é de um ceticismo que quase chega a comprometer sua fé, o que faz com que a dupla consiga abranger cada minúcia sob uma visão particular.

O filme conta com elementos bem conhecidos de produções do gênero, como a figura ranzinza e desconfiada da Madre Superiora (Helena Berenn) responsável pelo local e Kathleen (Lauren Coe), a garota grávida cuja vida é posta em risco por uma possessão demoníaca. Sem contar os recursos de trilha sonora e sustos “pré-anunciados”. Mas, até mesmo os tais clichês conseguem encontrar seu lugar e contribuem para o êxito da proposta.

A narrativa se sustenta inesperadamente bem, graças ao visual da produção. Com a estética de um documentário amador (já que, segundo o que nos é contado, quem capta as imagens é o padre John, conforme ordens do Vaticano), a impressão que fica para o espectador é a de que tudo está acontecendo de fato. O formato quadrado 4:3, a qualidade da imagem – com suas cores muito menos vivas do que as projeções atuais em HD, as “falhas” no rolo de fita – que provocam uma espécie de buraco na gravação, cada detalhe é responsável por conduzir a plateia a uma experiência imersiva e eficaz.

O terror “A Maldição da Freira” foi o típico caso de uma obra que não parecia em nada promissora – ainda que tenha um trailer interessante – mas que consegue ser uma grata surpresa para quem estiver disposto a encarar o que se esconde por trás do tal “Portal do Diabo” do título original.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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