Crítica: “A Maldição do Espelho”

A primeira vez que assisti a um terror russo (no caso, “A Noiva”), confesso não ter tido a melhor das experiências. Um tempo depois, um novo trabalho do diretor Svyatoslav Podgayevskiy surgiu – “A Sereia – Lago dos Mortos” e aquela primeira (má) impressão se repetiu.

Foi apenas na terceira tentativa que consegui enxergar com bons olhos o estilo aplicado ao gênero em uma produção que foge do convencional visto popularmente em obras norte-americanas e, por coincidência na sequência do primeiro filme dirigido por Podgayevskiy, “Queen of Spades: The Dark Rite”.

Os responsáveis pelo feito são Alexsandr Domogarov, que dirige e Maria Ogneva, que roteiriza “A Maldição do Espelho” (Pikovaya Dama: Zazerkalye / Queen of Spades: Through the Looking Glass).

A trama – que chega ao Brasil dublada em inglês e legendada em português – como parece ser o padrão para filmes russos – nos apresenta os meio irmãos Olya (Angelina Strechina) e Artyom (Danill Izotov) que são obrigados a se mudar para um internato de aparência soturna após um acidente de carro que vitimou sua mãe.

O colégio funciona em uma suntuosa mansão do século XIX, onde, segundo histórias locais, aconteceram diversos assassinatos de alunos, provocados por uma amargurada condessa que perdeu seu filho único, ainda criança. Desesperada para trazer o garoto de volta à vida, ela decide fazer um pacto com as forças do mal, que visa a troca de uma alma pela outra.

Tal história macabra acaba sendo passada de geração em geração, até figurar como a lenda da Rainha de Espadas, segundo a qual, no ato de seu linchamento por aldeões, a tal condessa conseguiu transferir sua alma para dentro de um espelho e através dele é capaz de atender qualquer desejo que lhe for feito – com a óbvia condição de se pagar um preço bem alto pela realização.

O ritmo da narrativa é estabelecido assim que desejos são feitos por alunos que encontram o referido espelho em uma sala desativada no colégio (embora não faça muito sentido ter mantido tal artefato supostamente perigoso no local por tanto tempo). A ordem em que os fatos serão mostrados em tela é definida pela solicitação de cada um, incluindo o pedido do jovem Artyom, que passa a acreditar que o fantasma da condessa é, na verdade, sua mãe.

Nada parece muito original – histórias que envolvem invocações em frente a espelhos já foram temas não só de outros vários filmes, mas de livros, peças e HQ’s; os personagens têm aqueles perfis esperados em longas do gênero, entre eles, o jovem com exterior bonito e de caráter duvidoso, a garota em dúvida sobre o próprio futuro que não aceita amizades, o rapaz que vai bem nos estudos e é motivo de piada entre o restante do grupo mais “descolado”.

E, mesmo com esses elementos não sendo os mais indicados para gerar um bom resultado, o que vemos é um filme bem interessante, no final das contas. Ainda que não haja sustos inesquecíveis (o trivial uso de jumpscares nem sempre é eficiente como deveria), ou mesmo algo que mereça um destaque mais efusivo, “A Maldição do Espelho” surpreende de maneira positiva, principalmente em seus momentos finais, quando ganha um inesperado vigor.

por Angela Debellis

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.

Filed in: Cinema

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