Crítica: “A Médium”

Com a legião de fãs do tema, é possível considerar “Possessão” como um dos subgêneros mais populares do Terror. E é graças ao interesse gerado pelo assunto, que obras como “A Médium” (The Medium) continuam sendo feitas e normalmente conseguem boa recepção entre o público.

A trama se passa na Vila de Loei, localizada na região de Isan, nordeste da Tailândia, e começa apresentando a história de respeitada médium Nim (Sawanee Utoomma), que afirma incorporar a divindade conhecida como Bayan, idolatrada pelo povo local. A tarefa de servir como xamã vem de gerações de mulheres em sua família, tendo como quebra no ciclo, a recusa de sua irmã mais velha, Noi (Sirani Yankittikan), que se converteu ao cristianismo.

Quando a pacata sobrinha de Nim, Mink (Narya Gulmongkolpech) começa a ter comportamentos estranhos (que envolvem atitudes que vão de claramente infantis a sexualmente explícitas), a família passa a acreditar que Bayan está em busca de uma nova hospedeira, o que se revela apenas parte do problema, através de uma crescente de fatos assustadores e surpreendentes.

Com 130 minutos de duração (tempo bem superior quando se pensa em outras produções do gênero), a primeira metade do filme tem ares de uma introdução mais extensa do que seria necessário, privilegiando o estilo de Mockumentário (Documentário Falso), consagrado há mais de duas décadas por “A Bruxa de Blair”, e que já rendeu inúmeros outros títulos (bons ou não), que fazem uso do artifício para conquistar a atenção dos espectadores.

Mas, a pós a primeira hora, o longa ganha um inesperado fôlego e leva à tela uma gama de elementos eficazes para contar a progressão da decadência física, moral e espiritual de Mink, enquanto seus familiares buscam auxílio na realização da chamada Cerimônia de Aceitação, que seria uma espécie de permissão para Bayan incorporar na jovem, tornando-a a nova xamã da região.

Embora muita coisa funcione quando se pensa na intenção de assustar, existem alguns elementos que podem gerar um real desconforto no público, devido à decisão do diretor Banjong Pisanthanakun (que assina o roteiro junto a Na Hong-jine) de mostrar tudo de maneira direta.

Trazendo à tona assuntos delicados como suicídio e maus-tratos animais, passando pelo uso desenfreado de sangue cenográfico em sequências que simulam rituais com consequências violentas, é preciso coragem para encarar a narrativa proposta.

Ao término da exibição, “A Médium” se aproxima mais do patamar do incômodo brutal, do que do assustador propriamente dito (até porque há poucos jumpscares, o que me pareceu algo bastante acertado).

É o tipo de filme que não faz saltar da cadeira a cada cena com sustos gratuitos e esquecíveis, mas deixa o estômago revirado por um bom tempo depois de assisti-lo – e, por isso mesmo, acaba tendo um impacto muito maior.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.

Filed in: Cinema

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