Crítica: “A Mula”

Que pode ser afirmado sobre Clint Eastwood, diretor, protagonista e produtor de “A Mula” (The Mule), que ainda não tenha sido dito? Porque antecedentes não lhe faltam, já que tem uma impressionante relação de títulos no cinema, como Diretor (37), Ator (62) e Produtor (36).

Entre seus principais títulos estão os que lhe fizeram ganhar o prêmio Oscar: Os Imperdoáveis”, em 1992, como Diretor e Ator; “Menina de Ouro”, em 2004, também nessas duas condições, e um Premio Irving Thalberg, que é um reconhecimento especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, em 1994. Além de outros diversos prêmios, em distintas partes do mundo.

Com extensa carreira em Itália e nos Estados Unidos, é mundialmente famoso e hoje tem quase 90 anos de idade. A mesma que o protagonista do filme, Earl Stone.

Sua história está baseada na matéria jornalística “The Sinaloa Cartel’s 90-Year Old Drug Mule”, publicada no New York Times Magazine (que aparece referida nos últimos instantes da exibição do filme).

O protagonista de “A Mula” é um indivíduo de magnética personalidade. Simpático para muitos, extrovertido, engenhoso, não terá a mesma relação com integrantes da sua família: bastante ruim com sua esposa Mary (Dianne Wiest, de magnífica interpretação), sua filha Iris (Alison Eastwood) e será oscilante até com sua neta Ginny (Taissa Farmiga). A toda essa turbulência se une uma péssima situação financeira.

Earl Stone reconhece em diversos momentos do longa que um panorama tão ruim tem como causa haver feito prevalecer o trabalho e não a família. E que ele teve uma vida irregular, com casos extraconjugais e um caráter dissipado em geral.

Personagens com moral duvidosa e certa culpabilidade, mas simultaneamente muito determinados, são típicos nos filmes de Eastwood. Isso os transforma em heróis imperfeitos. Em anti-heróis. Mas o espectador simpatiza com eles. Sente-se identificado e torce para que, além dessas falhas de caráter, o desfecho seja favorável.

Neste caso, o protagonista se defronta com uma possibilidade para sair da ruina econômica: quase sem querer por um lado, mas também aceitando por outro, se transforma em um transportador de droga para um poderoso cartel. Deixa de ser apenas um bom condutor para ser uma “mula”, como se denomina a tais traficantes.

A situação se complica em duas formas: com os próprios donos do negócio ilegal e com a polícia antidrogas – a Agência DEA. Um Agente Especial (muito bem representando por Laurence Fishburne, quase irreconhecível, porém sempre competente) e o agente Colin Bates (sóbrio Bradley Cooper) começam a aproximar-se a Stone.

Este, paralelamente, chega a ter um encontro com o poderoso traficante Laton (Andy García, de boa atuação), chefe da organização delitiva.  Mas, após muitas viagens, a sorte vai virando definitivamente. Stone deve defrontar-se com renovados perigos.

Clint Eastwood parece representar-se em algum modo a si mesmo. Seu andar sempre devagar, mas totalmente ciente, controlando até as situações mais complicadas, oferece um novo trabalho muito elaborado tanto como diretor quanto como ator.

O filme é competente, os itens técnicos (fotografia, edição, música), também são todos assim, e o final sem chegar a ser totalmente impactante, resulta bem construído.

“A Mula” é um trabalho muito digno de uma grande figura do cinema mundial.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

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