Crítica: “A Múmia”

Minha paixão pelos gêneros suspense e terror começou há muito anos, através dos “monstros clássicos da Universal”, e saber da intenção da distribuidora em trazer de volta (em versões obviamente repaginadas) seus personagens tão marcantes, foi uma grande notícia para mim.

A criação do agora chamado “Dark Universe” é um deleite para os admiradores de Drácula, Frankenstein, e tantos outros nomes que fazem parte do imaginário de quem gosta desse tipo de história e acompanha desde seus primeiros filmes – incluindo algumas ‘derrapadas cinematográficas’ no meio do caminho.

O ponto de partida para essa gigantesca – em termos de números e pretensões – proposta é a chegada aos cinemas de “A Múmia” (The Mummy), que não é apenas mais um remake do tão conhecido roteiro, mas traz um novo frescor à aventura (sim, é uma contradição colocar ‘frescor’ e ‘múmia’ na mesma frase), sob a direção de Alex Kurtzman.

Sai o icônico sumo-sacerdote Imhotep, entra a princesa Ahmanet (Sofia Boutella, tão linda quanto mortal), cujo nome foi supostamente esquecido pelos registros ao longo do tempo. Já no início da produção, somos apresentados aos fatos que mostram sua queda do posto de única herdeira / futura Rainha do Egito, para irmã mais velha do herdeiro direto / destruidora da família.

Ao fazer um pacto com o Deus da Morte, Seth, a jovem é impedida de cumprir o ritual até o fim e sofre a condenação de ser mumificada viva, tendo o corpo preso para sempre em um sarcófago – fato que se mantém firme por 5.000 anos, até a inesperada chegada de Nick Morton (Tom Cruise, sempre ele), um militar que pouco valor histórico dá aos artefatos que encontra, visando apenas o lucro ‘fácil’.

Apesar de contar com cenas de ação desde o começo, a trama realmente conquista o espectador no momento em que Ahmanet volta à ativa em dias atuais. Sem nenhum vestígio de culpa ou moral, a personagem não hesita em fazer uso de quem cruzar seu caminho, a fim de alcançar seu há muito tempo almejado objetivo: trazer o Deus Seth à vida, através de um corpo físico / mortal (e quem é ‘o escolhido’ da vez? Pois é, Tom Cruise).

A participação de Dr. Henry Jekill / Mr. Edward Hyde (Russell Crowe, em escolha certeira para o papel), é o ponto central para que todos os próximos filmes do Dark Universe se conectem. Vale prestar atenção às sequências passadas em seu escritório, que contém detalhes tão efêmeros quanto fundamentais para deixar os fãs ansiosos com o que está por vir.

Destaque para a maquiagem (em todas as suas vertentes, inclusive as que visam se aproximar das aparências clássicas dos monstros) e efeitos especiais que põem o espectador quase como parte atuante, através do bom uso da imersão – principalmente em cenas como a queda do avião, mostrada em partes pelos trailers oficiais. Vale dizer também que a dupla formada por Cruise e Annabelle Wallis (como a pesquisadora Jenny Halsey) funciona muito bem.

Com quase 2 horas de duração, o filme consegue manter-se interessante do início ao fim – apesar da perceptível falta de embasamento histórico, que pode se tornar um incômodo para parte da plateia. E, ainda que saibamos que este é apenas o primeiro de muitos capítulos de grandes nomes que virão, dá para sair bem satisfeito com o final relativamente em aberto.

Vale conferir!

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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