Crítica: “A Viúva das Sombras”

“A Bruxa de Blair” pode até não ter sido o primeiro filme no estilo Mocumentário com temática de terror (“Holocausto Canibal” já tinha feito algo parecido na década de 1980), mas com certeza foi um dos principais responsáveis por esse subgênero infestar o mercado e fazer escola, afinal é um método fácil, barato e geralmente com um bom retorno de fazer cinema – está aí a franquia “Atividade Paranormal” como parâmetro para comprovar minha afirmação.

Por essas vantagens que o subgênero apresenta, vários países começaram a explorar esse tipo de narrativa em suas próprias produções cinematográficas. Alguns longas vindos nessa leva se mostram realmente promissores, como o primeiro filme da franquia “REC”, por exemplo, que é uma produção espanhola. Agora a Rússia se aventura nesse mercado com o filme “A Viúva das Sombras” (Vdova / The Widow).

​A trama é contada por meio da lente de documentaristas acompanhando um grupo de voluntários que estão em busca de um garoto desaparecido na floresta de São Petersburgo.

Entretanto, conforme a noite vai passando, eventos cada vez mais estranhos e inexplicáveis começam a ocorrer com a equipe de resgate: primeiro em meio à floresta, e em seguida com os próprios integrantes do grupo, o que passa a gerar um sentimento de suspense e paranoia, tanto nos personagens, quanto nos espectadores.

​A filmagem alterna entre o clássico estilo de câmera na mão dos filmes Found Footage e enquadramentos de cinematografia padrão. Essa troca de abordagem é bem interessante, porque de fato consegue em muitos momentos extrair o melhor que cada estilo tem a oferecer.

Porém, se a ideia era convencer o público que se trata de um documentário real, essa escolha tira o espectador totalmente da imersão do filme, o mesmo pode ser dito da trilha sonora, que é usada de forma pontual para ambientar e assustar o público nos famigerados jump scares – afinal, se fosse de fato uma gravação acidental, esses sons nitidamente artificiais não deveriam estar ali.

​O que de fato torna a produção única é a utilização do folclore eslavo para compor a ameaça da trama. O cinema russo de terror tem utilizado suas próprias lendas com maestria nos últimos anos para construir bons argumentos. Infelizmente, nem todos são bem desenvolvidos em seus longas, mas no caso da lenda da viúva que da título à película, a adaptação foi bem feita e o conto foi integrado de forma orgânica com a ambientação moderna que se propõe a retratar.

​O único ponto negativo que é importante destacar é em relação à dublagem em inglês: muitas das vozes dos dubladores americanos não combinam com os atores russos, a dublagem em geral soa amadora. Fora a atuação, que no geral não combina com o que os atores do filme estão fazendo em tela – esse seja talvez o elemento que mais comprometa a obra e para resolvê-lo, bastava ter deixado os atores com o idioma original e com legendas em português.

Dirigido por Ivan Minin (que também escreve o roteiro junto a Ivan Kapitonov e Natalya Dubovaya), “A Viúva das Sombras” não reinventa a roda, nem se destaca como um terror excepcional, porém é divertido para quem curte Found Footage e, apesar de suas limitações, está muito acima de outros exemplos desse subgênero com orçamento e apelo maiores.

por Marcel Melinsk – especial para A Toupeira

*Título assistido através de Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.

Filed in: Cinema

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