Crítica: “Ainbo – A Guerreira da Amazônia”

Ótima pedida para celebrar o Mês das Crianças aliando entretenimento e consciência ecológica, “Ainbo – A Guerreira da Amazônia” (Ainbo – Spirit of the Amazon) chega aos cinemas brasileiros com uma proposta cativante e repleta de significados, que merece a  atenção dos espectadores.

Na trama da produção peruana dirigida por Richard Claus (também responsável pelo roteiro junto a Brian Cleveland, Jason Cleveland e Larry Wilson) e Jose Zelada (autor da história original), acompanhamos a corajosa Ainbo, jovem indígena que viverá uma inesperada aventura, na ânsia de impedir que a aldeia de Candámo sofra com as inconsequentes ações da mineração ilegal de ouro que acontece nos arredores da floresta amazônica.

Para isso, terá que enfrentar, não só a desconfiança de Atok (o maior guerreiro da tribo, que nutre uma evidente antipatia pela garota), mas de si própria, já que não se julga realmente capaz de realizar a missão que lhe é imposta.

Orfã desde criança, a protagonista foi criada pela gentil Chuni, que tem um importante papel diante dos habitantes locais. Também torna-se melhor amiga da princesa Zumi, que se vê com a importante tarefa de assumir o controle da tribo – mesmo parecendo jovem demais para isso -, após a inexplicável doença que acomete seu pai, o rei Huarinka.

Candámo sofre com o desaparecimento daqueles a quem chamam de “Guias Espirituais”. Tal fato também parece aumentar o poder maligno de Yakuruna, o Demônio da Floresta, cuja crescente aproximação coloca a segurança de todos em risco. A equivalência feita entre tal entidade e o “homem branco” é bastante clara e passa bem o recado.

Em sua jornada (cujos principais elementos de resolução são descobertos aos poucos), Ainbo contará com o auxílio do espírito de sua mãe Lizeni, a caçadora mais bonita e talentosa da aldeia. E também com a providencial ajuda de dois guias espirituais: Tantan e Dillo. A dupla surge sob as formas de uma anta e um tatu, cuja parceria consegue ser tão divertida quanto precisa em todos os momentos em que surgem em tela. São os personagens que têm mais facilidade em cair nas graças das crianças menores.

As sequências que lidam com as histórias locais e apresentam figuras lendárias como a impressionante Motelo Mama – tartaruga gigante que carrega o peso do mundo no próprio casco – são as que merecem mais atenção, não só pela eficiente narrativa, mas pela beleza das imagens que as compõem.

Assim como é válido destacar a sensibilidade que permeia todo o ritual realizado quando um membro da tribo falece. A cena que mostra a preparação para que o espírito vá em segurança para o outro mundo é de uma imensa riqueza emocional.

Para tornar o fato de se assistir a “Ainbo – A Guerreira da Amazônia” em algo interessante, é necessário deixar de lado qualquer comparação que possa ser feita com animações já realizadas. Ao parar de se exigir um inalcançável ineditismo, fica muito mais fácil embarcar na história e aproveitar a experiência.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.

Filed in: Cinema

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