Crítica: “Alice através do Espelho”

Alice-através-do-Espelho-Pôster-Nacional críticaAgradar ao público – seja da área que for – está se tornando cada vez mais difícil. Muitas pessoas são infelizes com os acontecimentos de sua vida real, seu cotidiano cheio de rotinas e limitações, mas quando têm a chance de acompanhar uma história diferente, fantástica e que traz um pouco de alento aos corações, continuam com o vício de colocar defeito em tudo – como acontece em seu dia a dia.

“Alice através do Espelho” (Alice in Wonderland: Through the Looking Glass) padece desse mal. Apesar de colocar nas telas imagens belíssimas, figurinos chamativos e personagens incríveis, parece que não é suficiente para conquistar os corações mais duros, moldados de acordo com a realidade que é imposta a cada um.

Felizmente, ainda há quem se deixe encantar pela magia do mundo criado por Lewis Carroll – ainda que, apesar do título, o filme não seja uma adaptação do livro homônimo – onde animais falam, o amor pela família desaparecida parece um motivo plausível para se adoecer gravemente e se não é possível apagar por completo, pelo menos pode-se tentar a redenção por erros cometidos no passado.

Na trama, Alice (Mia Wasikowska) está à frente dos negócios do pai falecido e precisa encarar a petulância de seu ex-noivo para evitar a perda de sua casa e do navio da família. É justamente nesse momento de tensão que a protagonista se vê à frente da improvável possibilidade de retornar ao País das Maravilhas, com a missão de ajudar seu melhor amigo, Chapeleiro Maluco (Johnny Depp, sempre dando um show), cuja saúde está bastante debilitada.

Ao chegar lá, Alice descobre que a única maneira de ajudar é adentrando no reino dominado pelo Tempo, que ganha representação física com a interpretação de Sacha Baron Cohen (com detalhes impecável de figurino), detentor de um aparelho com o qual a garota poder fazer viagens no tempo para tentar modifica fatos passados que interferirão diretamente no presente/futuro.

É o típico e sempre complexo dilema do paradoxo. Para cada coisa que Alice tenta consertar, outras tantas se modificam e alteram ainda mais o quadro, fazendo com que nem tudo saia da maneira desejada.

Quem espera reencontrar os personagens do longa anterior, pode festejar. Da Rainha Branca (Anne Hathaway), à Lebre de Março, dos irmãos Tweedledee e Tweedledum à agora borboleta Absolem (voz de Alan Rickman, a quem o filme é dedicado no final), todos que transformam o País das Maravilhas em um lugar que faz jus ao nome, estão de volta.

Destaque para a sempre exagerada (e correta) interpretação de Helena Bonham Carter, que consegue fazer de sua Rainha Vermelha uma vilã ainda detestável, mas com momentos certamente emocionantes.

Sob a direção de James Bobin e produção de Tim Burton, o visual do filme é claramente pensado para quem gosta do gênero fantástico, que procura coisas exageradas e bonitas de se ver, com muita cor e excentricidade. Ao contrário das cenas passadas “no mundo real” no qual a sobriedade e peso prevalecem, talvez em alusão ao nosso próprio mundo, esse em que as pessoas procuram colocar defeitos em tudo, porque se sentem mais seguras assim.

Deixe as mazelas da vida real de lado e entre no cinema com o coração leve como o de uma criança que acredita na possibilidade de viver aventuras mágicas e cheias de encanto. Aproveite a sessão e divirta-se.

por Angela Debellis

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