Crítica: “Amizade Maldita”

Um dos grandes méritos do gênero terror é pegar elementos supostamente inofensivos e transformá-los em algo a ser temido. Dirigido por Brandon Christensen (também responsável pelo roteiro ao lado de Colin Minihan), “Amizade Maldita” (Z) se apoia nessa premissa ao transportar para as telas a interação de um garoto de oito anos com seu amigo imaginário – o tal “Z” do título original – e todos os males que isso pode causar à criança e sua família.

A proposta inicial da trama é fazer o espectador se questionar sobre o real perigo: Mais do que fruto da imaginação infantil, seria Z uma entidade maligna ou o pequeno Joshua (Jett Klyne) teria algum grave problema psicológico de origem hereditária?

Esta dúvida vai permear boa parte do longa, que tem em suas primeiras sequências os os melhores resultados. De maneira tão surpreendente, quanto decepcionante, conforme os pais do menino, Kevin e Elizabeth Parsons (Sean Rogerson e Keegan Connor Tracy, respectivamente) começam a encontrar respostas, a narrativa perde em qualidade e o resultado não tem o potencial imaginado.

Em dado momento, a decisão de se deixar a história de Josh em segundo plano, para colocar os holofotes sobre sua mãe, Beth, não parece tão boa quanto poderia ser. Embora a introdução de fatos do passado da personagem seja de suma importância para a resolução de várias questões atuais, essa “troca” no protagonismo causa uma espécie de quebra desnecessária.

O filme tem a escuridão como grande aliada para amplificar o suspense. Seja literal (com cenas feitas com pouca luz) ou metaforicamente (com a alusão à escuridão que carregamos dentro de nossas mentes), o recurso é bem utilizado.

Dentro do que se espera, as atuações estão adequadas. É sempre incômodo ver uma criança que precisa enfrentar situações fora do esperado para sua idade e o jovem ator Jett Klyne – que já tem o terror “Boneco do Mal” em sua filmografia – convence no papel de Joshua. Quanto ao elenco adulto, o destaque fica para Keegan Connor Tracy, até mesmo porque a crescente de sua personagem exige uma maior aparição em tela.

Antes de chegar ao Brasil, “Amizade Maldita” fez parte da programação de vários festivais internacionais, tendo, inclusive, sendo agraciado com nove prêmios (entre eles, o de Melhor Filme de Terror, no Nightmares Film Festival, e o de Filme Mais Assustador, no Popcorn Frights), o que significa que há relevância na produção canadense.

por Angela Debellis

*Título assistido em sessão regular de cinema.

Filed in: Cinema

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