Crítica: “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”

Quando “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” chegou aos cinemas em 2011, em uma das passagens mais marcantes, Dumbledore (interpretado por Michael Gambon) diz a Harry Potter (Daniel Radcliffe): “Não tenha pena dos mortos, Harry. Tenha pena dos vivos, e acima de tudo, daqueles que vivem sem amor”. Anos depois, Newt Scamander (Eddie Redmayne) surge nas telas e afirma, em uma nova reflexão – digna de entrar para a galeria das favoritas de todos os tempos: “Não há criaturas esquisitas. Só pessoas preconceituosas”.

Com apenas uma frase, aparentemente tão simples, mas ao mesmo tempo tão repleta de significado, “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald) mostrou que a força da magia contida nas palavras da história criada por J. K. Rowling continua impressionante – e cada vez mais pertinente.

O longa é o segundo dos cinco episódios que comporão a saga de Newt Scamander. Com a história pré-estabelecida em “Animais Fantásticos e onde habitam”, não há mais necessidade de demoradas apresentações – mesmo os personagens que aparecem pela primeira vez, já foram citados em algum momento anterior – e a ação se estabelece desde a cena inicial, que confirma minha impressão prévia de que Gellert Grindelwald (Johnny Depp) conseguiria me colocar ainda mais temor que Voldemort (interpretado por Ralph Fiennes nas adaptações da saga de Harry Potter).

A narrativa começa do ponto em que o mago das trevas escapa da prisão e surge a necessidade imediata de recapturá-lo antes que o mal absoluto se estabeleça entre a relação dos Mundos Bruxo e Trouxa. Com Albus Dumbledore (Jude Law) fora de combate – uma vez que sua história prévia com Grindelwald o impede de entrar em conflito com ele – caberá a Newt a complicada missão de acabar com os planos do vilão.

Se todos os personagens humanos vistos no primeiro longa estão de volta – alguns com uma importância muito maior do que a já vista até aqui – também há novidades: a de maior destaque é a de Nagini (Claudia Kim), cujo segredo foi em parte revelado no trailer final do longa. Já pelo lado dos animais fantásticos, Pelúcio agora é pai de três encantadores filhotes que protagonizam uma sequência que levou boa parte da plateia a sorrir com o tamanho da fofura. Além deles, há outras criaturas inéditas – como o belíssimo Cavalo do Lago e sua crina feita de algas – e Antônio, um pequenino Chupa-Cabra. E é, claro, o adorável Pickett retorna também.

Visualmente, como já era de se esperar, o filme dirigido por David Yates é de um primor absoluto. Os cenários nos remetem a meados da década de 1920, com toda graça e magia. É incrível mergulhar novamente na amplitude detalhada do interior da maleta de Newt, cujos espaços dedicados a cada espécie animal são de encher os olhos. Assim como emociona o momento em que revemos a fachada de Hogwarts – com direito às icônicas notas iniciais de “Hedwiges Theme”, composição de John Williams, que se tornou marca da saga do Mundo Bruxo.

Falar mais sobre a trama é estragar parte das surpresas que ela carrega – e acredite: são muitas! Como não chega a ser novidade, quem leu os livros de Harry Potter – ou pelo menos assistiu aos filmes – terá um proveito maior do que os que não têm essas referências, uma vez que tudo se mostra interligado de maneira competente e fundamental.

Vale ainda dizer que “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” talvez não seja reconhecido como merece, por ocupar um lugar um tanto quanto “ingrato” na cronologia da nova saga: como segunda parte de cinco no total, praticamente todos os arcos permanecem em aberto ao término do filme, o que, por mais óbvio que seja, pode não agradar quem está acostumado a ter tudo resolvido de imediato.

Serão necessários mais dois anos para que tenhamos novas respostas sobre o que foi visto. Até lá, caberá aos fãs a criação das mais diversas teorias como tentativa de elucidar tudo que J. K. Rowling conseguiu plantar de dúvidas nos corações dos Potterheads.

Imperdível.

por Angela Debellis

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