Crítica: “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”

“Cada qual acredita que o que tem a dizer é muito mais importante do que qualquer coisa que o outro tenha a contribuir”. As palavras de Alvo Dumbledore em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, nunca foram tão lúcidas.

“Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” (Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore), terceiro capítulo da franquia cinematográfica iniciada em 2016 com “Animais Fantásticos e One Habitam”, chega aos cinemas em uma época ingrata, na qual há uma crescente obsessão das pessoas em fazer críticas (pertinentes ou não) sobre tudo e todos.

A impressão é que os “trouxas” (expressão tão conhecidas pelos fãs das criações de J. K. Rowling, e cada vez mais adequada, em sentido literal) estão perdendo a habilidade de se deixar envolver por obras de ficção, sejam de quais temas forem – o que distancia ainda mais um público que não faz questão de proximidade com os personagens.

De qualquer maneira, após um intervalo de quase quatro anos (o filme antecessor “Animais Fantásticos: os Crimes de Grindelwald” estreou no final de 2018), a saga que faz parte do Wizarding World retorna aos cinemas, com a produção mais complexa até agora – o que é explicável, mas que pode desagradar quem espera “apenas” por qualidade técnica e visual (quesitos que também são bem executados, diga-se de passagem).

Como o próprio título deixa claro, a trama tem como um de seus pilares os tais segredos de Alvo Dumbledore (papel de Jude Law, cada vez mais elegante), que, ao virem à tona, podem servir como um dos principais elementos na luta contra a ascensão do mal ao poder.

Ao lado do bruxo, estão companheiros fiéis e já familiares como Newt Scamander (Eddie Redmayne) – mantendo o posto de um dos meus personagens favoritos do Mundo Bruxo – e Jacob Kowalski (Dan Fogler), que, dentro de suas limitações de “não-maj”, tem uma justa participação na história.

Do outro lado do combate, as forças do mal ganham potência com a inaceitável popularidade de Gerardo Grindelwald (Mads Mikkelsen estreando muito bem no papel que antes pertencia a Johnny Depp). Com planos que visam o completo domínio do Mundo Bruxo e o extermínio do Mundo Trouxa, o vilão parece disposto a qualquer coisa para atingir seus objetivos (o que significa que há algumas cenas impactantes, que mostram justamente essa falta de limites).

Com muitos arcos em aberto, o longa acrescenta mais um assunto à pauta: a eleição que vai escolher o novo Chefe Supremo da Confederação Internacional dos Bruxos, cargo ao qual concorre Vicência Santos (Maria Fernanda Cândido), Ministra da Magia do Brasil e personagem que dá um enorme orgulho a quem a vê representar nosso país (tão machucado na vida real) com tanta personalidade.

O tom político é destaque em quase a totalidade do filme dirigido por David Yates, e dá um ar de urgência e seriedade. Mas isso não significa que não haja outros pontos “mais leves” a serem exaltados, como o figurino tão rico da década de 1930, a cenografia que conta com locações belíssimas e as aparições dos Animais Fantásticos (conhecidos e inéditos) que são suficientes para encher os corações mais sensíveis.

Com um Universo tão amplo quanto o criado por J. K. Rowling (que escreve o roteiro junto a Steve Kloves), seria um desperdício não fazer uso de referências e, felizmente, elas estão presentes da maneira mais bonita possível. Quanto à parte original da narrativa, esta também segue merecendo reconhecimento, já que é importante lembrar que a franquia se origina de um pequeno um pequeno Manual de 64 páginas, e toda história que vemos em tela ganhou vida a partir das versões fílmicas.

Vale aparatar no cinema.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.

Filed in: Cinema

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