Crítica: “As Aventuras de Pi”

Um jovem indiano, uma zebra, um orangotango fêmea, uma hiena, um tigre e um barco à deriva no oceano Pacífico. São esses componentes à primeira vista sem nenhuma conexão possível que dão o tom a uma das produções mais surpreendentes dos últimos tempos.

“As Aventuras de Pi” (Life of Pi), novo trabalho do diretor Ang Lee, narra a emocionante história de Piscine Patel (Suraj Sharma), que desde muito cedo passa por experiências que o fazem questionar sobre a grandiosidade da vida e a veracidade sobre Deus.

Do bullying sofrido por causa de seu nome (que perde importância quando passa a usar o codinome Pi – em alusão ao número matemático), à rigidez de sua criação – que inclui um pai que não se furta em mostrar “a realidade” como ela é – tudo em sua vida poderia render um livro. E essa é a proposta inicial do longa ao mostrar o protagonista mais velho contando sua história a um escritor.

Visualmente perfeito, o filme ganha força a partir do momento em que ocorre o grande naufrágio com o barco que levava os pais e o irmão de Pi da Índia para o Canadá, a fim de começarem uma nova etapa no país. Com eles, também viajavam os animais que faziam parte do zoológico local, de propriedade do patriarca da família.

Único sobrevivente da tragédia, o garoto se vê no meio do nada, tendo por companhia somente alguns animais. Com personalidades tão distintas e necessidades latentes, a batalha pela sobrevivência dentro de um pequeno bote mostra-se uma missão muito complicada.

Até que sobra apenas o imponente Richard Parker, tigre que era a principal atração do zoológico. Sem nenhuma experiência como domador, nada resta ao jovem a não ser aprender a conviver com o perigo em tempo integral por 227 dias – tenha ele a forma de uma tempestade, um tigre ou criaturas marítimas.

Tudo no longa impressiona. A qualidade de imagens – e do uso do 3D – que em momento nenhum nos permite lembrar que o tigre é, na maioria das aparições, feito digitalmente. A simplicidade da história, que a torna tão complexa aos olhos de quem a acompanha apenas através de uma tela de cinema ou das páginas de um livro (a trama é baseada na obra original de Yann Martel, publicada em 2001). A facilidade com que os acontecimentos fluem em pouco mais de duas horas, sem que sintamos o tempo passar.

E não será nenhuma surpresa se, ao término da sessão, a maioria dos espectadores permanecer em suas cadeiras, refletindo sobre a real importância das coisas em suas vidas, enquanto enxugam as lágrimas que facilmente correrão ao se conhecer a mágica, encantadora e incrível jornada de um jovem que escolheu, apesar de todas as visíveis dificuldades, sobreviver…

Absolutamente imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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