Crítica: “As Invisíveis”

No percurso que foi possível fazer nos últimos anos no Brasil sobre novos diretores de cinema franceses, há novidades interessantes. Alguns nomes como Sébastien Marnier (O Professor Substituto, apenas um longa-metragem prévio), Philippe Godeau (Jornada da Vida, com só dois), e em especial Rémi Becançon (O Mistério de Henri Pick, cinco), são citáveis, com resultados elogiáveis. A lista não é definitiva, mas ilustrativa.

Considerando esses antecedentes, somados ao dado que este é um filme muito assistido na França (o que é uma faca de dois gumes, porque muitas vezes cinema de massa não é sinônimo de qualidade artística), e com atrizes francesas conhecidas (Audrey Lamy, Corinne Masiero, Déborah Lukumuena – César como atriz coadjuvante em 2017 – e outras), As Invisíveis” (Les Invisibles) se apresenta, a princípio, como uma boa pedida.

Relata um problema acontecido em um centro de acolhimento de mulheres em situação de pobreza, que não têm onde morar, nem recursos para subsistir. As encarregadas do local de abrigo se defrontam com uma decisão municipal séria: será fechado em um prazo breve e as pessoas sem teto que estão lá ficarão impossibilitadas de permanecer e, portanto, perante um futuro absolutamente incerto.

A partir daí começa uma luta para tentar solucionar o problema, o que derivará em uma série de situações em alguns momentos dramáticas e, em outros, mais ou menos cômicas. Também o ridículo paira no ar. O que, resumido, poderia ser definido como “comédia dramática”.

O diretor Louis-Julien Petit, dentro dessa safra com poucos filmes prévios, procura produzir empatia com as vítimas e, também, dar um certo tom simpático e até cômico. Porém, o voo geral que obtém não é nem muito elevado nem totalmente ruim. Os perfis psicológicos apresentados são bastante esquemáticos e as situações, em geral, lineares. O produto resultante é médio. Pode chegar a convencer àqueles que se identifiquem com a duplamente problemática situação (sem teto e expulsão do abrigo) e com alguns dos casos que se vão apresentando.

Certamente não ter trabalho hoje é uma situação grave em muitos países; procurar por um, não deixa de ser extremamente complicado e isso é um dos assuntos que “As Invisíveis” explora. Além disso, os perigos vinculados ao uso de drogas e violência de todo tipo que assolam a mulheres em tais situações, são outros elementos preocupantes que aparecem aqui.

Tristeza, desesperança e até o patético farão parte deste percurso. E, claro, um pouco de alegria não deixará de aparecer para dar um tom menos pesado.

Ser solidário é um traço de caráter e conduta pouco habitual nesta época e deve ser elogiado. Essa é uma caraterística ressaltada nesta realização. Mas isso não é, de por si, um atributo cinematográfico definitivo. Podem existir obras de arte, literatura, cinema etc. boas, regulares ou ruins com materiais assim.

Nesta oportunidade, trata-se de um filme médio, que pode agradar aos espectadores que procurem entender situações de marginalidade e esforços por superar-se e superar aspectos de um mundo muitas vezes insensível à dor alheia.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Supo Mungam Films.

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