Crítica: “As Viúvas”

“As Viúvas” (Widows) é o quarto trabalho dirigido por Steve McQueen. O filme traz um elenco carregado de estrelas, como Viola Davis, Liam Neeson, Michelle Rodriguez, Colin Farrell, Elizabeth Debicki, Robert Duvall, Daniel Kaluuya e Cynthia Erivo – em seu segundo longa-metragem.

A trama segue a história de Verônica (Davis), Linda (Rodriguez), Alice (Debicki) e Belle (Erivo), viúvas de quatro ladrões assassinados em um trabalho que ocorreu terrivelmente errado. Elas precisam recuperar o dinheiro e devolvê-los ao dono original, ou suas vidas também encontrarão fins prematuros.

A obra traz à tona toda a experiência do diretor com títulos anteriores, tocando em pontos pesados como racismo, sexismo, desigualdade social e corrupção política. A forma como o escolhe abordar o assunto é diferente de demais trabalhos que tratam de grandes roubos, não se acovardando, e se focando nas temáticas e não no assalto em si: o ponto central da história é como esse grupo de mulheres deve superar as expectativas sociais e realizar o roubo.

Outro exemplo é como o dinheiro é pivô de um conflito entre dois políticos, um branco (Farrell), que fez sua riqueza dentro da política, e outro negro (Brian Tyree Henry), de origem pobre que pretende usar a política como forma de ascensão social.

Nos aspectos visuais, o filme tem uma boa fotografia, com o movimento de câmera não necessariamente acompanhando as ações dos personagens, mas sim as situações, reforçando-as. A diversidade da paleta de cores, também dá um tom interessante, diferenciando memórias e o momento presente. Ainda nos aspectos técnicos, a música, de composição de Hans Zimmer, não é o melhor trabalho do compositor, mas ainda é boa e digna de audição externa.

As atuações, particularmente das mulheres, estão magníficas, com Viola Davis que mostra mais uma vez como consegue ser durona sem precisar de sequências de ação intensa – lembrando um pouco sua própria atuação como Amanda Waller em “Esquadrão Suicida”. Michelle Rodriguez fez o oposto de seus papéis como heroína de ação, e apresenta-se uma moça mais dentro dos estereótipos femininos, que funciona para ela.

Por sua vez, Elizabeth Debicki chama muito atenção, conseguindo retratar muito bem os dramas da transição pela qual sua personagem passa durante a narrativa. E por fim, mas não menos importante, Cynthia Erivo ainda está em começo de carreira, mas atua de maneira consistente com o personagem, e faz bem o papel.

Dos pontos negativos, em primeiro lugar, a história em alguns momentos se torna confusa. Outro problema é o elenco masculino com nomes que estão em ascensão – Kaluuya – ou bem estabelecidos – Neeson – para papéis que só servem para chamar atenção de quem possa se interessar em assistir. Não que não trabalhem bem, mas dos vários homens, somente Farrell e Tyree Henry realmente têm uma presença constante em tela. Vale dizer que Duvall, ainda que nem tanto apareça, encaixa tão bem no papel designado que nem se pode reclamar.

Por fim, “As Viúvas” é um filme que merece atenção. Mesmo abordando uma trama comum a narrativas de ação – um assalto – a produção tem proporções bem maiores, e deve agradar a quem procura uma experiência mais profunda do que um título de ação comum.

por Ícaro Marques – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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