Crítica: “Assassinato no Expresso do Oriente”

Com materiais de qualidade aparecendo em número maior que as tentativas frustradas, as adaptações cinematográficas mostram uma incrível força entre os gêneros de filmes. Através delas, é possível transitar pelos mais diversos roteiros e até mesmo perceber que determinadas obras que já são maravilhosas no papel, podem adquirir um ar ainda mais interessante quando levadas às telonas.

Assim acontece com “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder on the Orient Express), que sob a direção de Kenneth Branagh – que também interpreta o papel principal – ganha sua nova versão para os cinemas (a primeira é de 1974, estrelada por Albert Finney), tendo como base o best-seller homônimo da aclamada escritora de mistério, Agatha Christie, que chegou às prateleiras em 1934.

Mais de 80 anos depois da história ser apresentada ao público, sua qualidade permanece intocada. Nela, somos apresentados a Hercule Poirot (Kenneth Branagh), detetive belga cuja inteligência é proporcional a seu comportamento compulsivo com todos pequenos detalhes que o cercam.

O protagonista será fundamental para solucionar o tal assassinato do título, cometido dentro de um trem impossibilitado de seguir viagem por causa da neve. Neste cenário limitado (mais ainda pelo livro do que pelo filme, já que o segundo consegue dar movimento às cenas de interrogatório, uma vez que faz uso de ambientações diversas, dentro e fora dos vagões), ele terá que usar seu talento e perspicácia para fazer várias descobertas.

A vítima em questão é Edward Ratchett (Johnny Depp), cuja índole parece bastante questionável desde o início da ação. O real motivo para que algum dos doze passageiros tenha cometido o crime é o que dá o tom a toda a narrativa. A percepção de todas as particularidades que formarão uma rede de informações e justificativas plausíveis é algo que mantém o espectador atento do começo ao fim.

A lista de suspeitos é tão eclética quanto interessante. Da governanta com rosto angelical Mary Debenham (Daisy Ridley) à missionária Pilar Estravados (Penélope Cruz). Da viúva em busca de um novo pretendente Caroline Hubbard (Michelle Pfeiffer) ao assistente administrativo Hector MacQueen (Josh Gad). A criação de personagens tão distintos e como todos acabam tendo a mesma possibilidade de serem culpados em algum momento é algo louvável.

O risco de se inserir acontecimentos inéditos foi um acerto. No início, há uma pequena história passada antes da viagem de trem, que serve para confirmar a capacidade intelectual e a fama conquistada por Poirot. Já no final, após a conclusão do caso, há uma rápida cena que mostra a possibilidade de se adaptar mais um famoso título de Agatha Christie. Sobre as mudanças (sempre elas), há as que serão notadas apenas pelos fãs mais exigentes, outras bem gritantes / desnecessárias, mas nenhuma chega a ter grande importância no geral.

Visualmente bonito – cenários que contam com neve têm essa vantagem -, e um grande zelo na apresentação dos figurinos e adereços de cena; elenco de peso e interpretações consistentes; além, é claro, de um inteligente teor narrativo. Ingredientes que fazem de “Assassinato no Expresso do Oriente” uma das melhores surpresas desse final de ano.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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