Crítica: “Brincando com Fogo”

É muito bom quando vamos ao cinema e nos deparamos com roteiros convincentes, fotografias sublimes e figurinos suntuosos. Assim como também é muito interessante quando assistimos a produções cujo maior intento é “apenas” divertir a plateia e aquecer os corações, de maneira simples e despretensiosa.

“Brincando com Fogo” (Playing with Fire) é a típica comédia familiar, em que não existem cenas que possam constranger os espectadores (exceção feita a uma que talvez pareça um pouco exagerada envolvendo uma troca de fraldas). Tudo é pensado para tornar a experiência agradável para todo tipo de público – em especial, é claro, quem já gosta desse gênero.

A trama tem como protagonista Jake Carson (John Cena), um sisudo bombeiro paraquedista, que tem em seu trabalho, motivo maior de orgulho. Criado às voltas das glórias e perdas da profissão anteriormente exercida por seu pai, o personagem ultrapassa a linha que separa o amor pelo que faz do excesso de zelo que serve como barreira para que tenha outros tipos de relacionamento (que não os estritamente profissionais).

Tudo muda quando, ao lado de sua dedicada equipe, Jake resgata três irmãos de uma cabana em chamas no meio da floresta. Com os pais do trio – composto pela adolescente Brynn (Brianna Hildebrand) e seus dois irmãos menores: o garoto Will (Christian Convery) e a pequenina Zoey (Finley Rose Slater) – fora da cidade em uma viagem de segunda lua-de-mel, caberá aos bombeiros zelarem por sua segurança de maneira imediata.

A boa notícia é que essa premissa aparentemente comum (e até mesmo óbvia) carrega consigo algumas boas reviravoltas e muitos momentos divertidos – principalmente no que diz respeito à necessidade de Jake, tão regrado com tudo e todos ao seu redor, ter que se adaptar de maneira abrupta a uma rotina que envolve todas as novidades que três crianças podem trazer.

O elenco parece muito confortável em interpretar papéis cômicos e, além de John Cena, cuja presença em tela evolui conforme a história se passa, vale destacar os três colegas que trabalham junto a seu personagem: Machado (Tyler Mane), Mark (Keegan-Michael Key) e Rodrigo (John Leguizamo), que também se veem à primeira vista perdidos com a necessidade de cuidar dos irmãos por eles resgatados, mas logo dão o seu melhor diante do inevitável.

Pelo lado emocional do enredo, a generosa cientista Drª Amy Hicks (Judy Greer) surge como ponto de equilíbrio justo e necessário para dar à comédia o tom esperado para uma produção que faz rir, mas que também sabe comover.

Ainda que não tenha esse perfil, o roteiro de Matt Lieberman e Dan Ewen, para a produção dirigida por Andy Fickman, conseguiu me surpreender. Em tempos nos quais a empatia e o amor pelo próximo parecem coisas cada vez mais raras, foi bom ver ainda existe espaço para se derrubar barreiras emocionais e criar novas e lindas histórias.

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

You might like:

NOW dá dicas para curtir o Carnaval NOW dá dicas para curtir o Carnaval
Crítica: “Dolittle” Crítica: “Dolittle”
Crítica: “Luta por Justiça” Crítica: “Luta por Justiça”
Crítica: “Maria e João: O Conto das Bruxas” Crítica: “Maria e João: O Conto das Bruxas”
© 2020 AToupeira. All rights reserved. XHTML / CSS Valid.
Proudly designed by Theme Junkie.