Crítica: “Cadê você, Bernadette?”

O longa “Cadê você, Bernadette?” (Where’d You Go, Bernadette?) estrelado por Cate Blanchett é uma adaptação do livro homônimo escrito por Maria Semple em 2013. A produção dirigida por Richard Linklater promete nos dar uma nova perspectiva sobre a forma como enxergamos nossos próprios fantasmas.

Bernadette (Cate Blanchett) vive em uma casa enorme, que antes era um colégio de freiras, por isso conta com um vasto território. Porém, a residência não está nas melhores condições e o quintal está tomado por amoreiras que incomodam a vizinha Audrey (Kristen Wiig), por quem Bernadette não nutre os melhores sentimentos – aliás, ela tem dificuldades claríssimas em se relacionar com qualquer outro ser humano além da filha e o marido.

Inclusive, a arquiteta – que não exerce a profissão – tem um secretária virtual indiana chamada Manjula, a quem ela encarrega de toda e qualquer atividade corriqueira, como pequenas compras, agenda médica e demais burocracias da vida adulta, tudo para se livrar das relações interpessoais.

Só que isso muda quando sua filha Bee (Emma Nelson) quer de presente uma viagem para a Antártica, o que vai desestruturar o emocional de Bernadette que tentará a todo custo encontrar uma desculpa para não precisar fazer o passeio em família.

A obra tem um quê de “cotidiano”, são pequenos conflitos que a maioria dos seres humanos já enfrentou: problemas entre vizinhos, uma relação desgastada, inseguranças, medos quanto à saúde mental. A leveza com que Linklater conduz deixa tudo muito natural e a atuação de Blanchett está impecável, embora sem novidades.

O filme faz uma ótima dosagem entre comédia e drama, não faz gargalhar ou chorar desesperadamente, contudo é impossível não liberar alguns sorrisos ou refletir sobre alguns pontos apresentados. De repente nos pegamos torcendo por Bernadette, para que ela saia da sua zona de conforto, que tome o controle de sua vida – ao longo da trama podemos observar o crescimento do personagem de Cate.

Um dos momentos mais divertidos é embalado pelo hit dos anos 1980, “Time after Time”, da contora Cyndi Lauper – a música que faz parte da trilha sonora é, no mínimo, nostálgica.

Vale lembrar que essa é uma análise apenas da produção cinematográfica, já que não li o livro no qual se baseia e os fãs da obra literária podem ou não aprovar a adaptação. Com belas paisagens, um elenco de peso e uma história apaixonante, “Cadê você, Bernadette?” é mais um daqueles filmes que vemos no cinema, ansiosos para que comecem as dezenas de reprises na televisão.

por Carla Mendes – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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