Crítica: “Calmaria”

Assim como boa parte das produções cinematográficas, o suspense “Calmaria” (Serenity) surge como uma experiência que poderá ser vivida de maneiras bem diferentes, dependendo da carga emocional prévia do público que for assisti-lo.

A trama se passa na pequena e pacata ilha de Plymouth, onde vive o pescador Baker Dill (Matthew McConaughey). Tendo a pesca – tanto autônoma quanto turística – como uma das principais fontes de renda, o local se destaca pela competência e teimosia do personagem, que ao lado de seu companheiro de trabalho Duke (Djimon Hounsou), insiste em apanhar um atum específico, a quem, depois de inúmeras tentativas de captura fracassadas, deu o sugestivo nome de Justiça.

Com uma vida aparentemente comum, Dill vê tudo mudar e seu caráter ser posto à prova com a aparição inesperada de sua ex-esposa Karen (Anne Hathaway) – com quem tem um filho, Patrick (Rafael Sayegh), que não vê há anos – que lhe faz um pedido tão desesperado quanto improvável: que ele mate Frank Zariakas (Jason Clarke), o atual marido dela (que se escora no fato de ser milionário e bem-sucedido para sentir-se confortável fazendo ameaças e a agredindo fisicamente).

Tal plano deveria ser executado de maneira a sugerir que o marido violento tivesse sofrido um acidente em alto-mar, durante um passeio no “Serenity” (barco de Dill e que dá nome ao filme). Pela execução, o protagonista levaria a soma de 10 milhões de dólares – o que seria mais do que suficiente para acabar com a situação financeira bastante incômoda na qual vive.

A obra seria apenas mais uma entre tantos títulos de suspense policial envolvendo assassinatos por encomenda, se não fosse pela mirabolante reviravolta que a narrativa sofre e que leva a história a outro patamar completamente fora do que se esperaria para a conclusão do que foi apresentado ao público.

Esse é o momento em que a opinião sobre o novo trabalho do diretor Steven Knight consegue ganhar seus contornos definitivos. Será difícil para quem não comprar a ideia dessa guinada sair satisfeito da sala. Por outro lado, quem optar pelo envolvimento com a nova proposta, terá assunto para muitas conversas posteriores – tal como o que aconteceu após o término de “Mãe!”, de Darren Aronofsky – outro longa de trama surreal e impactante que deu o que falar em 2017.

Com visual competente e atuações corretas – a aparente falta de emoção dos personagens em vários momentos cruciais tem uma explicação, que pode não ser tão lógica, mas torna-se viável dentro do que é sugerido –, o destaque fica mesmo para o corajoso roteiro que abraça livremente o risco de não conseguir agradar boa parte dos espectadores.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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