Crítica: “Canções de Amor”

A trama de “Canções de Amor” (Daffodils) se passa na Nova Zelândia e começa em um cenário que surpreende por não ser tão propício para um romance musical: um quarto de hospital. Neste ambiente, conhecemos Maisie (interpretada pela cantora e compositora neozelandesa Kimbra Lee Johnson), que acompanha os momentos finais de seu pai Eric (George Mason).

Maisie é cantora e precisa deixar o pai para se apresentar no que parece ser uma espécie de clube. É durante seu show que a narrativa do longa dirigido por David Stubbs é mostrada ao espectador, já que através das músicas, é possível acompanhar a história de seus pais, desde quando se conheceram em 1966, até os dias atuais.

A partir desse ponto, a participação da cantora é bastante pontual, dando o espaço necessário para que Eric se torne o narrador da história. O então jovem sonhador trabalha como vendedor de discos quando conhece Rose (Rose McIver) por acaso e, mesmo com vários fatos que poderiam ser determinantes para que não ficassem juntos – como a longa viagem que ele faz para conhecer outros países – o casal parece destinado a se unir, o que acontece algum tempo depois desse primeiro e propício encontro.

Todas as fases do relacionamento dos dois – do início da vida a dois às mazelas cotidianas de uma convivência de anos – são contadas através de canções cujas letras se encaixam de maneira impecável no roteiro. Como todo bom musical que se preze, mesmo em situações que parecem pouco adequadas – como durante a limpeza de uma parede mofada ou no meio de uma discussão – as melodias se fazem presentes como elemento catalisador da ação.

Até certo momento, as coisas parecem caminhar para se resolver de forma rasa e o resultado final acabaria sendo compreensível, porém simplório. Felizmente, de forma gradual e eficaz, a trama escrita por Rochelle Bright ganha contornos mais emocionais e entrega algo mais profundo e realista ao espectador.

Tal realismo acaba por interferir no que seria o esperado – pela grande maioria do público – em um título de romance musical e, por alguns instantes me lembrou da direção tomada por outra aclamada obra do gênero, “La La Land – Cantando Estações”. Tal ato de coragem sempre vai me surpreender em se tratando desse tipo de filme.

Ao término da exibição, a sensação é a de que “Canções de Amor” cumpre o papel ao falar de um jeito tão franco sobre assuntos que podem parecer banais, mas que rondam nossa vida diária: A que custo uma promessa deve ser mantida? Quanto a história pregressa com nossa família pode afetar um relacionamento amoroso? Até que ponto devemos abandonar nossos sonhos em prol das expectativas dos outros? Como agir quando sentimentos não são suficientes para enfrentar algo que não podemos controlar / mudar?

Vale a pena conferir o filme que está disponível no Cinema Virtual.

por Angela Debellis

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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