Crítica: “Cemitério Maldito”

Em 1989, acordes de uma canção da banda Ramones, composta por Dee Dee Ramone e Daniel Rey, entraram para a história da indústria musical ao pregar “Eu não quero ser enterrado em um cemitério para animais… Eu não quero viver minha vida de novo”.

A letra da música que virou tema de “Cemitério Maldito” (Pet Sematary), e que agora ressurge em um cover executado pela banda Starcrawler, faz alusão ao local amaldiçoado da narrativa, o qual permite que aqueles que nele são enterrados, retornem à vida – ainda que de uma maneira bem diferente da sua rotina anterior à morte. E agora, pode-se dizer que também serve como metáfora para se tratar do ainda muito polêmico assunto “remake”.

Baseado na obra homônima de Stephen King (cujo título em tradução literal é “Cemitério de Animais”), o terror retorna aos cinemas depois de 30 anos com uma trama tão simples quanto assustadora. Nela, quando o médico Dr. Louis Creed (Jason Clarke) se muda com a esposa Rachel (Amy Seimetz) e seu casal de filhos para a cidade de Ludlow, localizada na área rural do estado do Maine, uma série de infortúnios faz com que sua vida a as daqueles que ama virem de cabeça para baixo.

O atropelamento de Church, gato de sua filha mais velha, Ellie (Jeté Laurence), faz com que o protagonista conheça um local ermo no meio de uma floresta próxima aos fundos de sua residência. Orientado por Judd Crandall (John Lithgow), vizinho de aparência misteriosa e que parece guardar toda gama de segredos da região, ele enterra o animal em determinado ponto, durante uma espécie de cerimônia. Como resultado, o felino retorna à casa, mas nitidamente há algo de errado com ele.

Quando outro acidente vitima a garotinha, apesar da hesitação inicial, Louis decide praticar o mesmo ritual questionável para trazer a criança de volta (como visto no trailer oficial do longa divulgado pela Paramount Pictures), o que não é preciso muito esforço para imaginar que será uma péssima ideia – para dizer o mínimo.

Com toda simplicidade – e até certa inocência exagerada e inverossímil – as produções da década de 1980 e parte de 1990 conseguiram alcançar um patamar de excelência que as transformou em ícones dos mais variados gêneros cinematográficos e assim também foi com o terror. Ao fazer tentativas de “atualização” de determinadas obras, perde-se parte da essência que as torna especiais.

No caso deste remake de “Cemitério Maldito” dirigido por Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, há uma clara intenção em aproximar a trama de outras vistas recentemente, inclusive fazendo uso de recursos bem contemporâneos. Isso faz com que o título caia naquela faixa em que pode ser visto como um bom filme – por momentos que contam com o eficaz uso de iluminação e trilha sonora, mas também como uma adaptação questionável – ainda mais quando altera de maneira tão radical pontos fundamentais da história na qual se baseia.

Vale dizer que há easter-eggs bem interessantes – e rápidos! – de outras obras de Stephen King que devem ser percebidos apenas pelos fãs mais atentos que conhecerem trabalhos originais / adaptações anteriores do autor.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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