Crítica: “Chocante”

Como não chega a ser novidade para a grande maioria, os anos de 1980 e 1990 são de uma riqueza cultural tão grande, que mesmo após décadas de seu término, ainda conseguem permanecer ativos de alguma forma na indústria do entretenimento. A realização de obras cinematográficas / televisivas que os celebram tem se mostrado um caminho bastante próspero.

É com esse espírito que chega aos cinemas o longa nacional “Chocante”, que sob a direção de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, conta a “história de vida pós-sucesso” dos componentes da boyband do título, e mostra que nem sempre os holofotes se mantêm acesos por muito tempo – ainda mais quando a carreira meteórica é interrompida depois de apenas oito meses de êxito, por inesperados problemas pessoais.

O reencontro dos veteranos Téo (Bruno Mazzeo), Tim (Lúcio Mauro Filho), Tony (Bruno Garcia) e Clay (Marcus Majella), depois de mais de 20 anos de separação, ocorre durante o sepultamento de Tarcísio, quinta peça da formação original. E é através de recordações do ciclo de sucesso e reflexões sobre a efemeridade da vida, que decidem retomar a carreira – ou pelo menos o que ainda pode ter restado dela.

Nessa busca, terão a companhia do divertido empresário Lessa (Tony Ramos) e da fiel presidente do fã-clube oficial da banda, Quésia (Débora Lamm), cujo amor pelos rapazes parece ter ficado congelado no tempo, o que a faz ter a mesma admiração de anos atrás – ainda que muita coisa, nos âmbitos emocional e físico, tenha mudado de maneira drástica.

É curioso imaginar como parece que sempre haverá um choque (sem trocadilhos!) entre gerações. E isso fica ainda mais visível com a chegada do novo integrante Rod (Pedro Neschling), vencedor de reality show, cuja maior preocupação na vida é postar excessivos vídeos para suas fãs, a quem chama de “Rodmaníacas”, a fim de manter em alta a popularidade conquistada no programa.

O grande destaque do filme vai para a competência em se utilizar elementos que remetam aos anos de glória do Chocante, que em sua versão mais jovem, aparece participando do Domingo Legal (com direito a áudio de Gugu Liberato), um dos programas icônicos naquele momento. Além disso, a cena em que Sônia Abrão noticia o falecimento de Tarcísio, depois de um acidente no mínimo peculiar, deve divertir quem conhece a nem sempre bem vista fama da apresentadora entre o público de seu programa.

Quanto à trilha sonora, assim como trajetória do grupo, a maior relevância se dá em uma única canção: “Choque de Amor”, escrita especialmente para o longa, cuja melodia e letra conseguiram captar a expressão “música-chiclete” que tanto marcou o cenário musical dos anos de 1980 e 1990. Mas ainda há espaço para uma ótima sequência que mostra os amigos em franco questionamento sobre suas decisões, ao som de um dos maiores sucessos do grupo Dominó, “Tô P. da Vida”.

Vale destacar a surpresa que tive ao perceber que, mais do que uma boa comédia, o filme também carrega uma carga emocional que deve mexer principalmente com o público cuja idade se aproxima a dos protagonistas. É divertido vê-los exercer profissões tão comuns – como já mostrado no trailer oficial -, e encarar as visíveis alterações que os anos trouxeram ao corpo e à mente de cada um, mas não deixa de ser impactante a conscientização de que nem sempre a vida toma os rumos que gostaríamos (ou que acreditamos merecer).

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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