Crítica: “Cidade Perdida”

Filmes (em sua maioria) são produzidos com o claro intento de se tornar um sucesso. Alguns, menos pretensiosos, conquistam tal posto com a espontaneidade que lhes é devida. Assim acontece com inúmeros longas das chamadas comédias românticas, que não precisam de grandes reviravoltas ou reflexões, porque no final, sua mais incrível função é entreter o público.

“Cidade Perdida” (The Lost City) é a mais nova adição ao gênero e consegue – ao longo de seus 112 minutos de duração – cumprir, de maneira brilhante, o propósito de divertir, através de uma narrativa repleta de ação e bons momentos que parecem ter sido alcançados com mais eficiência, graças ao excelente elenco que possui.

A trama nos apresenta a ex-arqueóloga Loretta Sage (Sandra Bullock, no papel que antecede sua aposentadoria “temporária”) que, após o falecimento de seu marido John, há cinco anos, perdeu o gosto por desafios reais e tornou-se uma reclusa escritora, que se refugia nas páginas de suas publicações.

Estas mesclam aventuras em cenários dignos de Indiana Jones a conteúdos mais “adultos” – lembrando os livros de bolso tão populares desde a década de 1930 (com seu auge nos anos de 1970), e que foram apenas a ponta do iceberg no que diz respeito à literatura “hot” de hoje em dia.

Para ajudar a alimentar a fantasia do público leitor, surge o modelo de capa Alan (Channing Tatum), que é a representação física de Dash Mc Mahon (o protagonista masculino de suas obras), em uma representação caricata – que envolve uma peruca de longos cabelos loiros e uma camisa sempre a postos para ser tirada – mas que parece agradar quem transforma os títulos em best-sellers.

E é justamente durante o lançamento de seu mais novo trabalho, que a escritora é sequestrada. O responsável pelo ato é Abigail Fairfax (Daniel Radclife), herdeiro bilionário obcecado pela Coroa de Fogo, artefato citado em um dos contos de Loretta, e que parece ser mais do que apenas um elemento ficcional, com a confirmação da descoberta da tal Cidade Perdida.

Tentando provar ser mais do que “apenas um rosto / corpo bonito”, Alan parte em busca da romancista, a fim de resgatá-la a salvo (coisa que poderia ser fácil para Dash, mas que está longe da alçada do modelo). Para isso, recruta a ajuda de Jack Trainer (Brad Pitt), um enigmático soldado disposto a tudo para atingir seus objetivos – mesmo que isso implique em ações divertidamente exageradas e/ ou bizarras, que são um dos pontos mais altos do filme.

Os diálogos merecem grande destaque durante todo o desenrolar da narrativa e logo conseguem  conectar público e personagens. Tudo é bem definido desde o início, deixando nítida a posição de cada figura, o que cria uma empatia imediata pelos “mocinhos” e uma implicância crônica com o “vilão” – o que também acontece graças à (bem-vinda) obviedade da história.

Além dos protagonistas, cabe exaltar o excelente trabalho de Da’vine Joy Randolph, que dá vida à Beth Hatten, editora e amiga de Loretta. Sua participação, além de fundamental, é hilária, e a transforma em um dos maiores acertos em tela.

Dirigido por Aaron e Adam Nee (que também assinam o roteiro junto a Seth Gordon, Dana Fox e Oren Uziel), “Cidade Perdida” entrega o que há de melhor quando pensamos no gênero: há ação na medida certa, interesse romântico clichê e situações que beiram o absurdo. O resultado é uma das produções mais bacanas dos últimos anos, altamente recomendada para quem busca por momentos em que o cinema, assim como as obras de Loretta, torna-se um ótimo refúgio.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.

Filed in: Cinema

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