Crítica: “Convenção das Bruxas”

É bastante provável que, independente de ser fã (ou não) da obra de Road Dahl, você já tenha ouvido falar sobre algum de seus trabalhos, já que vários livros do autor ganharam versões cinematográficas – o que às vezes ajuda ainda mais a aproximar o público das obras originais.

A mais nova incursão de um livro de Dahl às telonas chega sob a forma de um remake – promovido como uma “reimaginação” – de “Convenção das Bruxas” (Roald Dahl’s The Witches).

Publicada em 1983, com o título de “As Bruxas” (The Witches), a obra ganhou sua primeira versão cinematográfica em 1990, com Anjelica Huston no papel de protagonista. A assustadora interpretação da atriz ficou marcada como uma das mais emblemáticas da década, sendo celebrada até hoje pelo público que teve a infância marcada por ela.

30 anos após o lançamento desta versão, Robert Zemeckis assume a missão de dirigir e ser um dos roteiristas (ao lado de Guillermo del Toro e Kenya Barris) de uma nova narração da história que prega a surpreendente ideia de que as temidas bruxas são muito mais do que apenas personagens fictícios. Elas são reais.

Dessa vez a trama se passa essencialmente no Estado americano do Alabama, em 1968, e tem como protagonista um garotinho (interpretado por Jahzir Bruno), que após a morte de seus pais em um acidente, vai morar com a avó materna (Octavia Spencer, em seu show habitual de interpretação). Os nomes dos personagens não são revelados.

A dupla precisará enfrentar de frente o maldoso séquito liderado pela Grande Bruxa Rainha (a sempre eficiente Anne Hathaway), cuja intenção nada amistosa visa difundir entre suas seguidoras, a misteriosa “Fórmula 86”, que serviria para acabar com todas as crianças do mundo, transformando-as em ratos.

Ao mesmo tempo em que parece simples, a trajetória imposta aos personagens é complexa e cheia de detalhes. Se algum mínimo elemento do plano do garoto e sua avó der errado, todo o resultado almejado pode ser comprometido de maneira irremediável – o que significa que a segurança das crianças em nível global, depende do êxito dos protagonistas em desmantelar o cruel exército.

Como na versão anterior, a reimaginação de Zemeckis mantém a cena da revelação da verdadeira aparência das bruxas, durante uma reunião no auditório do hotel, como o ponto alto da produção. Ainda que o novo visual não seja tão assustador – indo mais para o lado do fantástico e, obviamente contando com muito mais efeitos visuais – este permanece convincente.

Por falar em fantasia, há uma diminuição notável em alguns pontos que poderiam ser considerados violentos ou assustadores em demasia, para os moldes da sociedade atual. No geral, essa decisão funciona – se a intenção for abranger um público maior – já que é possível que boa parte das crianças menores não se sinta de fato desconfortável com nenhuma imagem em tela, embora seja válido lembrar que a classificação etária nos cinemas brasileiros foi mantida como filme recomendado para maiores de 10 anos.

Talvez o grande acerto de “Convenção das Bruxas” seja a maior fidelidade à obra de Road Dahl, o que para os leitores prévios deve agradar muito e, para os que só conhecem a versão fílmica de 1990, deve surpreender agradavelmente. Ao término da produção, pondo as diferenças lado a lado, o resultado são dois longas que encontrarão seus lugares nos corações dos espectadores, sem que haja necessidade de disputa e que, cada à sua maneira, servem como boas opções de entretenimento.

Vale conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.

Filed in: Cinema

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