Crítica: “Coração Ardente”

Fazendo uma interessante mescla de drama ficcional e documentário, “Coração Ardente” (Corazón Ardiente) transita entre os dois gêneros para trazer uma história que, embora tenha momentos comoventes, no todo deve tocar mais o público que se interessa por obras que contam com tramas baseadas em assuntos religiosos.

A narrativa tem como protagonista a escritora Guadalupe Valdés (Karyme Lozano) que, embora possua uma bem-sucedida carreira, passa por um sério bloqueio criativo que a impede de entregar algo inédito a Daniel Sinfín (Carmelo Crespo), editor responsável pela publicação de seus livros.

Quando se vê pressionada a apresentar pelo menos uma ideia inicial do tema que comporá sua próxima obra, ela acaba tendo um inesperado encontro com María Benegas (María Vallejo-Nágera), âncora do programa Zona Limítrofe e responsável por ceder à Guadalupe, informações sobre aparições misteriosas do Sagrado Coração de Jesus e todas as consequências que tais fatos trouxeram ao mundo.

A partir desse gancho ficcional, o longa espanhol apresenta diversos depoimentos (que vão desde o século XVII a dias mais atuais) de pessoas que vivenciaram experiências ou estudaram ocorrências que levam, no mínimo, a indagamentos sobre a autenticidade do que é ditadoo sob a luz da fé e dos preceitos do catolicismo.

Embora tenha a religião como claro assunto central, o longa que conta com dois diretores, Andrés Garrigó (também responsável pelo roteiro ao lado de Pedro Delgado) e Antonio Cuadri consegue manter-se bem equilibrado no que diz respeito à ficção dramática.

A estrada trilhada por Guadalupe, que começa com o intuito apenas de gerar um novo trabalho, acaba ganhando atalhos ocasionais que a levam a questionar decisões tomadas há anos em relação à família e o quanto trazê-las à tona pode significar para a continuação de sua caminhada.

Também é bonito acompanhar as descobertas feitas pela protagonista, costuradas através de pequenos detalhes (sinais?) que levam a uma conclusão que, embora pareça (e talvez seja mesmo) óbvia, consegue cumprir a missão de emocionar os espectadores.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Digital promovida pela Kolbe Arte Produções e Magnificat Entretenimento.

Filed in: Cinema

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