Crítica: “Desejo, Paixão e Razão”

Escrito e dirigido por Katharina Mückstein, “Desejo, Paixão e Razão” (L’Animale) é um filme austríaco que aborda o que é conhecido como “coming of age”, jovens saindo da adolescência, chegando na vida adulta e enfrentando as dificuldades dessa transição, conhecido na literatura alemã como “bildungsroman”.

Há muitos longas que abordam o mesmo tema, e poderia se dizer que não há mais nada de relevante a ser contado, mas Katharina Mückstein mostra o contrário. A produção é sensível, bem feita e mostra uma perspectiva diferente sobre o assunto.

Na trama, acompanhamos a adolescente Mati, que está a poucas semanas dos exames finais para se formar no ensino médio. Após isso, seu caminho parece ter sido decidido pela sua mãe veterinária. Entre estudar e trabalhar com a mãe em uma clínica veterinária, Mati passa seus dias andando de moto com seu grupo de amigos, todos rapazes, que mais se assemelham a uma gangue. Uma grande mudança ocorre quando um deles se apaixona por ela, ao mesmo tempo em que Mati se aproxima de uma jovem mais velha e antiga inimizade, Carla (Julia Franz Richter).

O filme aborda justamente os conflitos entre desejo, paixão e razão e as dificuldades de saber ao certo o que realmente se deseja. Interpretada muito bem por Sophie Stockinger, Mati consegue encapsular o período conturbado em que nos dividimos entre a descoberta da nossa personalidade, o desejo de se encaixar e agir de acordo com o que é esperado de você, e os medos e angústias no meio de tudo isso.

A narrativa ainda trabalha com questões importantes como identidade de gênero e, ao abordar os problemas conjugais dos pais da protagonista, principalmente a de seu pai (Dominik Warta). Mostra que essas questões não ficam mais fáceis quando crescemos, e que a vida adulta também é permeada pelo embate entre desejo, paixão e razão.

“Desejo, Paixão e Razão”, que estreia no Cinema Virtual, aborda os desejos e a solidão de uma forma sensível, mas sem nunca cair no melodrama, dando um interessante panorama sobre as relações do grupo de Mati, e do casamento de seus pais, mostrando o quão complexas podem ser as relações humanas.

Tem uma boa trilha sonora e a música italiana, L’Animale, de Franco Battiatto, tem um papel fundamental na trama ao falar, justamente, do poder que os desejos animalescos têm sobre nossas vidas.

Este é o segundo trabalho da diretora Katharina Mückstein, e ganhou cinco prêmios em festivais de cinema, como o de melhor filme no Festival Internacional de Cinema Feminino de Seul, e o de melhor atriz revelação para  Sophie Stockinger no Romy Gala da Áustria.

por Isabella Mendes – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da Elite Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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