Crítica: “Desventuras em Série” (Netflix)

Desventuras em Série Netflix Crítica

Quando “Desventuras em Série” (Lemony Snicket’s A Series of Unfortunate Events) estreou nos cinemas em 2004, eu nada sabia sobre os livros que haviam inspirado a produção. Fui assistir, apenas com a opinião de que um longa que tivesse em seu elenco Jim Carrey e Meryl Streep, não tinha como dar errado.

E, apesar de muitas críticas negativas por parte do público em geral e jornalistas especializados, eu não consigo enxergar o filme com maus olhos, ainda mais porque foi graças a ele que acabei me tornando leitora apaixonada da surpreendente saga escrita por Lemony Snicket em treze volumes.

Treze anos depois, a história sobre as vidas repletas de tragédias dos irmãos Baudelaire ganha uma adaptação homônima, dessa vez sob a forma de uma série original da Netflix (o que costuma ser um bom presságio na maioria das vezes).

Com a ótima premissa de se contar a trama de um livro a cada dois episódios, a primeira temporada, que foi disponibilizada em plena sexta-feira 13 (ontem), nos conduz às quatro desventuras iniciais das crianças que ficam órfãs prematura e inesperadamente, e se veem à mercê das mirabolantes vilanias de Conde Olaf, um dos antagonistas mais bacanas da literatura moderna.

Desventuras em Série Netflix Crítica 1

Se com Jim Carrey tínhamos um vilão calcado no lado cômico, agora a interpretação de Neil Patrick Harris surge com mais nuances, passando facilmente da maldade pura às ideias pífias de um homem cuja ambição cega gira em torno de conseguir colocar as mãos na fortuna herdada pelos órfãos (que a princípio será retida até que a irmã mais velha, Violet, torne-se maior de idade).

O trio de protagonistas formado por Violet (Malina Weissman), Klaus, (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) consegue dar conta do recado e confirma o quão ajustadas foram as escolhas de seus jovens intérpretes, que não se mostram intimidados em contracenar com nomes conhecidos com Neil, além de outros atores veteranos cujas participações especiais são mais interessantes quando descobertas pelos espectadores.

Um dos maiores destaques fica para a narração de Lemony Snicket (Patrick Warburton) que, assim como na obra original, orienta que não se acompanhe a série, dizendo que nessa história não há final feliz e que as pessoas deveriam fazer outra coisa mais interessante ou divertida. As aparições do “personagem”, não só no início, mas em momentos inesperados de cada episódio, dão um tom bastante íntimo à narrativa, pois com a quebra da quarta parede, ele fala diretamente a todos que decidiram embarcar nessa malfadada aventura.

Para quem não leu os livros, é uma excelente oportunidade se apaixonar pela história. Já quem conhece a trama, poderá acompanhar a saga que tanto sucesso encontrou nas páginas de papel, com uma riqueza incrível de detalhes (sejam cenográficos ou textuais) que felizmente se sobrepõem com louvor às poucas alterações impostas nessa nova versão.

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Direto da Toca, TV

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