Crítica: “Dragon Ball Super Broly”

“Dragon Ball” é, de longe, uma das séries de mangá mais populares de todos os tempos. Desde sua criação em 1984, derivou em uma adaptação de parte da série original, pelo menos quatro outras séries que servem como sequência (dentre estas, a famosa “Dragon Ball Z” que continua a adaptação da original), vários mangás spin-off, e uma quantidade maior ainda de filmes longa metragem, em particular inspirados no anime: aproximadamente vinte e três, incluindo o horrendo live-action ocidental  “Dragon Ball Evolution”.

“Dragon Ball Super Brolly” é o mais novo filme da famosa série. Quarenta anos atrás, um dos mais poderosos bebês da sociedade Saiya-jin, Brolly, foi exilado junto com seu pai por ser mais poderoso que o próprio filho do Rei Vegeta. Agora ele está de volta e quer vingança contra o príncipe responsável por seu exílio.

Uma das primeiras coisas a notar é a qualidade do roteiro que está muito bem amarrado, com diálogos interessantes, uma trama envolvente. O mais fascinante é sua profundidade, maior do que a média de produções baseadas em séries de anime, cujos próprios contextos não sejam muito profundos.

Para fãs de anime, e longas do gênero, o filme se compara ao primeiro longa cinematográfico de Pokémon nos assuntos abordados, e no modo como trabalha estes temas e dramas. Além disso, o roteiro esclarece muitas coisas que não eram explicadas na série em si, ou apenas em filmes que não faziam parte do cânone oficial, como a relação entre os Saiya-jin e o Rei Cooler e seu filho Freeza, e como se deu a sobrevivência dos últimos desta espécie

No aspecto visual, o longa também está muito bem trabalhado. As animações estão fluidas e bonitas, e com visuais coloridos vivos. Na parte musical, há o uso de orquestra e vozes para momentos em que se deve elevar a tensão em diálogos, e de instrumentos modernos e eletrônicos durante lutas para aumentar a sensação de algo frenético.

A dublagem está fenomenal: o retorno de vários dos dubladores originais é um banquete para os fãs, e à parte do fan-service, o filme realmente está com a dublagem muito bem feita. Um ótimo exemplo deste trabalho em animações orientais, uma tradição da série “Dragon Ball” no Brasil.

Algo que deve ser notado é a coreografia das lutas: o uso de diferentes estilos de luta é ligado ao próprio nível de poder dos personagens, às suas personalidades e ao contexto mental. Não só bem coreografadas, as formas usadas têm uma função narrativa, algo incomum em filmes, tanto animações como live-action, ocidentais e orientais.

Dos problemas, o principal são as animações 3D. Apesar de uma ideia válida lembrando vários jogos da série “Dragon Ball Z”, não está tão bem feita quanto a animação 2D, que  apresenta uma qualidade muito superior – a integração das duas cria uma discrepância estranha.

O filme também é claramente feito para fãs da série “Dragon Ball”, em especial das duas ultimas séries – “Z” e “Super”. Para quem não a acompanha, este não é um bom ponto de entrada, embora conte histórias antes da série original. Para quem somente viu a série “Z”, existem momentos que se explicam o que aconteceu e como se chegou neste ponto.

É típico nos animes quando um longa-metragem derivado é feito, que sua relação com o cânone da história da série seja ambígua, ou apenas uma trama lateral possível, e que não integre este. Esperemos que “Dragon Ball Super Brolly” passe a integrar o cânone, como os filmes anteriores (“Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses” e “Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza”), pois a qualidade do roteiro e a história tratada são muito eficazes. Fora isso as animações e músicas são uma beleza. Toda esta soma torna o filme um material obrigatório aos fãs da série “Dragon Ball”.

por Ícaro Marques – especial para A Toupeira

*Filme assistido em Cabine de Imprensa realizada pela Distribuidora Fox Film do Brasil.

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