Crítica: “Duna”

Embora eu ainda não tenha me embrenhado na leitura do texto original de “Duna”, escrito por Frank Herbert em 1965, consigo reconhecer sua grandiosidade, não só em tamanho físico (já que o conteúdo é descrito em cerca de 600 páginas), mas em importância, seja no mercado literário – como um dos mais aclamados títulos de ficção científica já escritos – e/ ou cinematográfico/ televisivo, com adaptações prévias em forma de filme e séries.

Com o mínimo de conhecimento acerca da narrativa, a experiência de assistir ao novo filme de Denis Villeneuve é, no mínimo, impactante. Depois de vários adiamentos, devido à pandemia de Covid-19, e sob grande expectativa, “Duna” (Dune) chega aos cinemas com a muito válida (porém, perigosa) pretensão de ser apenas o começo do que, espera-se, venha a ser uma franquia para entrar na história.

A trama se passa no ano de 10191 e mostra uma espécie de disputa política pelo domínio do planeta Arrakis (também chamado de Duna), único local onde existe a produção da especiaria Mélange, considerada o artigo mais valioso do universo por suas propriedades únicas. Tal qual um épico que se preze, o longa apresenta “Casas”, sendo a Atreides a grande protagonista, cujos membros terão suma importância no decorrer da narrativa.

A ação começa com a decisão do Imperador Shaddam IV (apenas mencionado, sem aparecer em tela), que culmina na mudança do Duque Leto Atreides (Oscar Issac), seu filho único, Paul (Timothée Chalamet) e sua concubina Lady Jessica (Rebecca Ferguson), para o tal planeta desértico, a fim de tomar a frente da exploração da especiaria – anteriormente comandada pelos Fremen, povo nativo que não vê essa imposição com bons olhos, uma vez que já sofreram nas mãos de integrantes da Casa Harkonnen que parecem dispostos a tudo para retomar o poder.

Fora todos os óbvios perigos que tal cenário oferece, uma vez que a escassez de água é um problema recorrente e a convivência com os Shai Hulud – vermes gigantes que habitam as areias escaldantes do planeta – não é das mais fáceis, os membros da Casa Atreides (o trio que compõe a família, assim como os soldados de seu exército) precisarão enfrentar outros desafios que colocarão suas vidas em risco a todo instante.

No centro desses confrontos, está o líder da Casa inimiga dos Atreides, Barão Vladimir Harkonnen (Stellan Skargård, na caracterização mais impressionante do longa), cuja vilania demonstrada com tanta naturalidade, é capaz de alçá-lo entre grandes antagonistas da ficção. E isso, porque esta ainda é, como bem explícito em determinado momento em tela, apenas a “primeira parte” da história.

Em 155 minutos de duração, há de se destacar inúmeros detalhes da produção, que devem lhe garantir indicações na próxima temporada de premiações, em especial, no que diz respeito ao impecável trabalho de efeitos visuais. Assim como a belíssima trilha sonora composta por Hans Zimmer, que é praticamente um personagem a mais a juntar-se ao elenco estelar designado para dar vida às figuras imaginadas por Frank Herbert.

Repleto de sequências marcantes – como a que mostra a ingrata tarefa proposta a Paul pela assustadora líder da ordem mística das Bene Gesserit, Reverenda Mãe Gaius Helen Mohiam (Charlotte Rampling), e que pode ser conferida em partes no primeiro trailer oficial do filme -, “Duna” entrega o que promete: o início de uma jornada épica que merece ser visto na maior tela possível.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.

Filed in: Cinema

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