Crítica: “Entre Tempos”

Há tempos não vemos filmes de romances com histórias descontruídas, normalmente temos aqueles típicos finais felizes, em que o casal ideal vive o romance perfeito. Sabemos que na vida real as coisas não acontecem sempre dessa maneira, nem tudo ocorre como planejado, nem mesmo se existe amor envolvido.

No longa “Entre Tempos” (Ricordi?) dirigido por Valério Mieli, temos Lui (Luca Marinelli), um rapaz que não consegue se desfazer das lembranças de seu passado, isso o torna um homem sem grandes expectativas, e com medo de relacionamentos. Lei (Linda Caridi) por outro lado, é uma moça que nunca demostrou grandes preocupações, sempre sorrindo, e facilmente impressionável pelos pequenos detalhes da vida. Ao se apaixonarem, o casal acaba vivendo um relacionamento de alguns anos, o que não significa que não tiveram problemas durante esse período.

Lei e Lui vivem uma série de conflitos emocionais no decorrer do filme, fator brilhantemente ilustrado, já que reflete centenas de relações amorosas no mundo. Ele, era uma pessoa mal resolvida com seu passado, não acreditava que coisas boas acontecessem em sua vida, era alguém que se fechou tanto em seu universo particular, que não imaginava nem mesmo que pudesse se relacionar com outra pessoa. Ela, apaixonou-se perdidamente por aquele homem misterioso, sua vida girava em torno de fazê-lo feliz, e mergulhar num amor intenso.

O ponto crucial do longa, é mostrar o quanto as relações amorosas podem ser afetadas quando travamos uma guerra interna. Nem sempre o amor vence todos os obstáculos, uma relação acima de tudo, é construída de uma série de fatores importantes, e muitas vezes as pessoas se apoiam na teoria de que porque amam, tudo é passageiro.

Um dos maiores conflitos dos personagens é conhecer um ao outro internamente: no início de sua paixão, ambos ignoraram os defeitos, as preocupações e o passado, tudo parecia perfeito. Com o passar dos anos, as qualidades pelas quais eles se apaixonaram, viraram motivo de infelicidade.

Se o casal fica junto ou não, é algo dedutivo; o que a produção fez questão de frisar nas cenas finais é que ambos amadureceram em consequência de uma relação mal resolvida, e que por mais que se possa amar alguém, não podemos nos esquecer de nós mesmos. O amor é lindo, mas não é suficiente para nutrir uniões repletas de falhas, não quando há esforço apenas de um lado, ou quando ficamos submersos em meio a frustrações de nossos companheiros.

por Victória Profirio – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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