Crítica: “Esquadrão Suicida”

Esquadrão Suicida pôster críticaNo lucrativo mercado de produções cinematográficas baseadas em quadrinhos, “Esquadrão Suicida” (Suicide Squade) chega com a missão de mostrar o quanto vilões podem ser – e normalmente são – interessantes a ponto de protagonizar seu próprio filme. E quando a primeira cena dentro da prisão de Belle Reve em Louisiana nos é apresentada ao som dos marcantes acordes de “House of the Rising Sun”, a ansiedade que já era enorme toma dimensões ainda maiores.

Na trama dirigida por David Ayer, o ‘mocinho’ Batman (Ben Affleck) é um coadjuvante de luxo, enquanto outro integrante da Liga da Justiça tem uma aparição digamos, ‘relâmpago’. Quem dá o tom são os caras maus, que parecem bem à vontade com a situação.

O tal Esquadrão do título, como apresentado por vários materiais promocionais, é formado pelo que há de melhor quando o assunto são os piores. Os personagens de caráter duvidoso são comandados por Amanda Waller (Viola Davis, numa interpretação que dá vontade de colocar a atriz num potinho na estante), nome influente no governo americano, que decide combater o crime fazendo uso de infratores cujas penas médias são as perpétuas – algumas triplicadas – para se ter ideia do quão ‘adoráveis’ são.

Entre os improváveis anti-heróis, El Diablo (Jay Hernandez) – meta-humano que produz fogo com o corpo; Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) – mutante com aparência e fisiologia do animal que lhe dá nome, capaz de viver no subterrâneo; passando por Junne Moone/Magia (Cara Delevingne), jovem arqueóloga que carrega a alma de uma bruxa dentro de si; até chegar, obviamente, à Drª Harleen Quinzel/Arlequina (Margot Robbie)– figura tão sexy quanto perigosa, cuja principal característica é ser o interesse amoroso/psicótico do mais carismático vilão das HQ’s.

Aliados a outros prisioneiros, eles formarão a força-tarefa mais letal do mundo, recrutada para resolver casos cujo perigo iminente faz jus à alcunha “Suicida”. Ao ter controle sobre um micro explosivo com a potência de uma granada de mão instalado sob a pele de cada vilão, Amanda Waller e Coronel Rick Flag (Joel Kinnaman) estão, até certo ponto, na condução das cordas dos ‘marionetes’.

O problema da vez é uma entidade mais antiga que o mundo, que aliada a seu irmão também imortal, decide exterminar com a humanidade que, segundo ela, hoje venera máquinas em lugar de suas imponentes figuras.

Uma das maiores expectativas sobre o filme era a aparição do Coringa, agora interpretado por Jared Leto, e a óbvia comparação com o personagem imortalizado por Heath Ledger, naquele que, mesmo após oito anos e inúmeras produções, continua sendo uma das mais incríveis adaptações de quadrinhos para as telonas, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

Para entender a importância real de ambas as versões, basta pensar que o Coringa de Ledger é aquele psicopata viável, possível (mas não desejável) de se encontrar na esquina, na fila do mercado, no trânsito. Alguém que não parece tão distante da realidade atual, quando há tantos casos gratuitos de violência. Já o Palhaço de Leto é a pura essência dos quadrinhos em movimento, como se o amedrontador personagem tivesse saltado das páginas e caído nas telas. Quem for fã da arte do magnífico ilustrador Alex Ross, com certeza dará uma salto na cadeira com uma rápida, porém muito marcante cena que mostra Coringa em trajes de gala e Arlequina com seu uniforme clássico (sério, dá para ficar com lágrimas nos olhos com a perfeição da imagem).

Enfim, há muita cor, movimento, música (a trilha sonora se confirma como um show à parte). Há violência, boas sacadas, e ainda sobra tempo para mostrar que vilões também têm coração (seja para o bem ou para o mal). E há uma cena adicional que dá gancho para futuras – e muito bem-vindas – aventuras.

Vá aos cinemas conferir que, de fato, “é bom ser mau”.

por Angela Debellis

*E não é que nossa Mascote gostou mesmo de sua caracterização como Coringa?!

o toupeira coringa

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