Crítica: “Feito na América”

Há um velho e sábio ditado que prega que “Quem rouba um tostão, rouba um milhão”. No caso de Barry Seal, personagem interpretado por Tom Cruise em “Feito na América” (American Made), a comparação serve para mostrar sua evolução no mundo de atividades, digamos, nem sempre lícitas.

Barry é um piloto de aeronaves comerciais que encara sua rotina de trabalho como uma fonte segura de renda para ele e sua família, até que surge a chance de aumentar seus ganhos com o contrabando de charutos durante suas viagens. A partir daí, suas “habilidades” por trás dos bastidores serão descobertas pelos mais diversos interessados em seus serviços, o que fará com que sua tediosa tarefa diária torne-se, no mínimo, mais atrativa.

Contratado pela CIA para sobrevoar e fotografar locais em que guerrilheiros comunistas planejam suas ações, o protagonista pede demissão da TWA, empresa área em que trabalhava, para alçar voos maiores – literalmente. Mas, para que se contentar com isso, se é possível acrescentar vários zeros à soma de dinheiro que virá para suas mãos?

O responsável pela nova e tentadora proposta é o Cartel de Medellín, representado por nomes como Jorge Ochoa (Alejandro Edda) e, é claro, Pablo Escobar (Mauricio Mejía). Traficar drogas da América do Sul para o território americano mostra-se tão rentável, que faz com que o piloto comece a enfrentar um curioso problema: não dar conta da quantidade de notas que recebe. Como ele mesmo fala, o montante cresce exponencialmente, por mais que ele agora tenha uma incrível rede de estabelecimentos de fachada para lavagem de dinheiro.

É muito interessante ver como até algo ilegal demanda certa organização. Barry passa a ter funcionários, há uma agenda a ser seguida, com voos que devem seguir determinadas instruções para que todos os elos da corrente mantenham-se firmes até os resultados finais serem alcançados. E quando parecia já ter acontecido de tudo com uma só pessoa, uma nova oportunidade surge e coloca ainda mais pimenta na já bastante intrincada história.

O mais curioso de tudo, no longa baseado em fatos reais e dirigido por Doug Liman é que, apesar de nitidamente agir fora da lei, o personagem consegue ganhar a simpatia do público, seja através da gravação de vídeos nos quais ao falar com a câmera, parece repostar-se diretamente aos espectadores, ou pelo fato de manter o conforto e o relacionamento com a esposa Lucy (Sarah Wright) e os filhos como prioridade máxima.

Tom Cruise mostra, mais uma vez, porque mantém o status de ator polivalente há mais de três décadas. Aos 55 anos, ele apresenta uma vitalidade e por consequência, uma satisfação com o que faz, que merecem ser destacadas em sua longeva carreira.

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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