Crítica: “Free Guy: Assumindo o Controle”

Muitas pessoas vivem felizes em sua chamada “zona de conforto”, com uma rotina que normalmente implica trabalho, casa e, às vezes, alguma diversão (mesmo que esta seja sempre em menor porcentagem do que as obrigações diárias). E isso, não é necessariamente ruim. Mas, e quando surge a percepção de que há “algo mais”, de que a vida pode ser mais do que essa tríade simplista?

É o que acontece com o protagonista de “Free Guy: Assumindo o Controle” (Free Guy), que depois de quatro adiamentos devido à pandemia de Covid-19, chega aos cinemas brasileiros como uma das melhores produções de 2021.

No mundo gamer, Guy (Ryan Reynolds) é o chamado NPC (Non-Player Character), ou seja, um personagem não jogável, daqueles criados apenas para servirem de coadjuvantes durante as partidas. Dentro do violento jogo Free City, ele atua como um bancário cuja rotina é bem pouco atraente, já que basicamente se resume a ir trabalhar e ser vítima de assaltos diários – esta é uma das missões que os jogadores do “mundo real” devem cumprir durante a partida.

Mas, Guy desenvolve uma inesperada inteligência fora da bolha em que foi designado para estar, ao se apaixonar por uma avatar conhecida como Molotov Girl (Jodie Comer), que faz com que ele tenha, pela primeira vez, atitudes que vão abalar com todas as aparentemente sólidas estruturas do jogo, como a decisão de se tornar uma espécie de herói que combate os vilões encarnados pelos jogadores de Free City, o que o levará a descobrir que, na verdade, ele é parte de um mundo virtual que corre o risco de desaparecer nos próximos dias.

Esse é o ponto de partida para uma aventura que pega elementos óbvios e transforma em algo surpreendente. Há uma sabedoria ímpar no modo como o roteiro de Matt Lieberman e Zak Penn consegue unir o interesse promovido pelo mundo dos videogames (cada vez mais em alta, inclusive com a popularização de plataformas específicas para quem procura por esse tipo de atividade) a pertinentes assuntos como a importância de não se render ao que esperam que você seja, mas buscar sua própria verdade.

Se Ryan Reynolds é quem de fato brilha na produção, há de se destacar o restante do elenco que entrega atuações alinhadas e também têm seus momentos de importância. Além de Molotov Girl, Jodie Comer também dá vida à programadora Millie Rusk, que ao lado de Walter “Keys” McKey (Joe Keery), é responsável pela ideia original por trás de Free City, e teve seu trabalho roubado por Antwan (Taika Waititi), poderoso empresário do mundo gamer, cuja ambição cega por lucros (pouco importando as consequências para se chegar a isso) o transforma em um antagonista que poderia soar como exagerado, mas que se encaixa com perfeição na proposta do filme.

Cabe ainda dizer que grandes momentos do longa têm a participação divertidíssima de Buddy (Lil Rel Howery), segurança do banco e melhor amigo de Guy. A amizade / cumplicidade da dupla é daquelas que desejamos ter, pelo menos uma vez, em nossas vidas.

Como já era de se esperar, a obra dirigida por Shawn Levy é um festival de referências e easter-eggs, contando com várias participações especiais – sejam de gamers famosos ou estrelas de cinema, que aparecem em tela ou emprestam suas vozes a personagens. Quem está familiarizado com o tema deve ter mais facilidade em perceber tais elementos que surgem em profusão, mas, mesmo quem não é jogador assíduo, também conseguirá se divertir – e muito.

Dica: Preste atenção nos detalhes, nos excelentes efeitos especiais, na trilha sonora e em uma aparição “relâmpago” que é uma das maiores (e mais engraçadas) surpresas dos últimos tempos.

“Free Guy: Assumindo o Controle” é a prova de que, quando algo tem potencial para conquistar o público, não importa o tempo que tenhamos que esperar, sempre valerá a pena.

Imperdível.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pel0 20th Century Studios.

Filed in: Cinema

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