Crítica: “Ghost in the Shell” (animação)

Sem nenhuma explicação lógica para tal atitude, nunca me interessei em ler mangás ou assistir a animes (por mais que vários amigos tenham me feito inúmeras indicações). Até hoje.

A animação japonesa de enorme sucesso “Ghost in the Shell” (no original “Kôkaku Kidôtai” e que no Brasil ganhou o título de “O Fantasma do Futuro”) terá um dia de exibição em cinemas da rede Cinemark, a imprensa foi convidada para acompanhar uma sessão exclusiva e eu tive minha primeira experiência com o gênero.

A produção (de 1995) que será exibida em 40 salas, no dia 14 de março, é dirigida por Mamoru Oshii e baseada no mangá homônimo de Masamune Shirow (de 1989). O evento deve-se ao fato de uma nova versão – dessa vez em live action e estrelada por Scarlett Johansson – estar programada para estrear no final do mês, no dia 30.

Para quem está acostumado a títulos de maior visibilidade (entenda-se Disney / Pixar), no começo é complicado se habituar ao estilo completamente diferente que dá o tom à animação. Apesar da urgência no tema, que envolve uma grande ameaça na forma do hacker conhecido como “Puppet Master” (“Mestre das Marionetes” em tradução literal), há tempo para várias sequências em câmera lenta, silenciosas ou com apenas uma trilha ao fundo.

Em alguns momentos, somente a boca do personagem se move, em contraste com todo o resto estático e há uma clara preferência por detalhes, sejam de corpos, cenários, ou mesmo objetos inanimados. O close é usado com muita frequência.

O fato de ser exibido no idioma original (japonês) com legendas é no mínimo, curioso. Por um lado, há uma excelência na escolha, que faz com que o clima oriental consiga manter-se forte por todos os 83 minutos de duração, mas por outro, pode haver certa “confusão” ao se tentar prestar atenção nos diálogos e nas legendas tão distintas (coisa de quem já nem percebe mais qualquer possível discrepância entre as vozes em inglês e as legendas em português).

A protagonista da história é uma ciborgue conhecida como Major Motoko Kusaagi, cujo corpo modificado em laboratório a transformou em uma espécie de super policial com inúmeras habilidades. Ela também possui um ‘acessório’ usado em cenas bem marcantes: o traje de camuflagem termo-ótica (em outras palavras, ao vesti-lo, sua imagem consegue se fundir ao ambiente, o que lhe dá imensa vantagem sobre seus oponentes – a menos que eles tenham como detectar ondas de calor – algo como o visto na franquia “O Predador”).

O vilão a ser detido é o já citado Puppet Master, responsável por diversos ataques a ciber-cérebros que possibilitam às pessoas um acesso eficaz a extensas redes de informação. Não são só os computadores e aparelhos eletrônicos que correm risco, mas os próprios seres humanos.

Um dos momentos mais bacanas, que pelo já divulgado nos trailers está bem semelhante ao remake americano, acontece durante os créditos iniciais. Marcada pela batida forte e competente de sua música tema (que será tocada mais uma vez durante a trama), a produção começa mostrando a transformação do corpo da Major durante os experimentos. As cenas são impressionantes e devem ficar na memória dos espectadores.

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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