Crítica: “A Grande Muralha”

Numa época em que os tais “justiceiros de Internet” se veem no direito de colocar defeitos e falar mal de tudo e todos, “A Grande Muralha” (The Great Wall) é mais uma vítima. Sob a justificativa de que a escalação de Matt Damon como protagonista estaria tentando “ocidentalizar” a produção, muito se criticou antes mesmo de seu lançamento nos cinemas.

Primeiro, é preciso dizer que a escolha do ator faz muito sentido na história. Dito isto, o longa dirigido por Zhang Yimou impressiona, se não por sua trama relativamente simples / sem grandes reviravoltas, mas por seu visual deslumbrante.

William Garin (Matt Damon) é um mercador (entenda-se “ladrão”) europeu que ao lado de seu amigo Pero Tovar (Pedro Pascal) acaba capturado por soldados que vivem sob a proteção da muralha do título, a fim de preservar um grande segredo que pode colocar a vida da humanidade em risco.

O perigo da vez atende pelo nome de Tao Tei, horríveis criaturas lendárias da cultura chinesa, que a cada 60 anos atacam a população e cujo bando cresce consideravelmente através da procriação de sua rainha (que também tem completo controle sobre suas mentes e ações). O fato surpreendente se dá pela construção da muralha não ter sido feita apenas com o intuito de se proteger contra perigos humanos, mas também por causa de ataques dos tais monstros.

Logo após a chegada dos estrangeiros, uma grande batalha acontece, o que significa que vemos o inacreditável exército que vive entre as gigantescas paredes em ação. Tendo as inúmeras funções definidas por uma cor de uniforme, cada movimento é show à parte, mas nada chama mais a atenção do que a equipe Garça, formada por mulheres que voam (no sentido literal da palavra, presas apenas por cordas) por cima das cabeças dos inimigos para feri-los, na maioria das vezes, mortalmente.

Se a princípio William parece ser / talvez seja apenas um ladrão (ele busca um muito cobiçado “pó negro”, que logo percebemos tratar-se de pólvora), não demora para seu papel ganhar ares mais importantes e ele passa a ser peça fundamental na luta contra as criaturas, junto ao exército liderado pela jovem Lin Mei (Jing Tian).

Com boa parte de seu texto falado em chinês, o longa consegue justificar sem problemas as partes em que o inglês aparece como idioma dominante e não há nada de errado no uso dos dois idiomas em conjunto. Tudo acaba compondo uma bela e bem sucedida narrativa, que deve surpreender (positivamente) quem for conferir no cinema.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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