Crítica: “Infidelidade”

Um policial dramático ou um drama policial. Isto é “Infidelidade” (An Affair To Die For). Como definição, nada especial, pois o gênero policial contém um componente dramático. Aqui, como o nome antecipa, é um caso de traição matrimonial. Aliás, são dois casos. Um dos matrimônios tem uma relação aparentemente boa; já o outro, não.

Também aparentemente, as circunstâncias conspiram para que os segredos comecem a desmoronar. Porém, nada é tão simples (embora as traições já em si mesmas tenham caráter complicado). Os dois casos ficam entrelaçados em modo complexo ao extremo. Os infiéis são colocados em xeque de tal maneira que têm que reforçar seus segredos, até um para o outro.

Embora seja assim, o filme não é difícil de ser acompanhado e entendido. Há um roteiro cuidadoso, feito por Elliott San (carente de antecedentes em longas-metragens). Toda a primeira parte pode ser bem definida por essa condição dramática.

Agora, apesar de já ter elementos tensos e algo repulsivos, prevalece a trama que ressalta as relações pessoais. Seus vínculos, seus traços psicológicos, sua inteligência, emoções, paixões.

O problema é que Víctor García, o diretor, vai deslocando-se para dar lugar a certa sordidez. Na sua filmografia, há somente dois títulos: “Hellraiser: Revelações” (de 2011) e “A Amaldiçoada” (2013), ambos do gênero do horror. E isso, então, aparece em “Infidelidade”.

Essa segunda parte faz lembrar, por exemplo, a “Jogos Mortais” (2014), em especial pelas imagens desagradáveis. De todo modo, é interessante, sem cair totalmente no negativo. Para superar isso, ajudam o mencionado roteiro, muito boa fotografia (de Eloi Molí), e atores e atrizes experientes (a protagonista, Claire Fontaine – algo exagerada ao remarcar sua mágoa com seu matrimônio -, Jake Abel, Melina Matthews, Titus Welliver e Nathan Cooper – os três últimos em breves, mas significativas aparições).

“Infidelidade” pode ser assistido com interesse por público que goste de elementos psicológicos e policiais. Detalhando que há momentos com erotismo estilizado, e alguns outros com algo desagradável visualmente. Também suspense, densidade dramática e tensão.

A produção já pode ser adquirida para aluguel e compra no NOW, Looke, Vivo Play, Google Play, Microsoft, iTunes e Sky Play nas versões dublada ou legendada (com áudio original).

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da A2 Filmes.

Filed in: BD, DVD, Digital

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