Crítica: “Jogos Mortais: Jigsaw”

Quando uma franquia se torna longeva, não chega a ser inesperado que a qualidade das produções tenha momentos de altos e baixos, o que faz com que, para se gostar de um filme, deva-se tê-lo em mente como algo único no momento, e não ficar comparando com os anteriores.

Isso ganha ainda mais amplitude se algo considerado muito bom pela maior parte do público / jornalistas já é entregue logo no episódio de estreia da saga. No âmbito do terror, mesmo após 12 anos, na minha opinião, nenhum longa teve um final tão incrível quanto “Jogos Mortais” (o primeiro que realmente dá início a toda história envolvendo um serial killer que beira a genialidade).

Após o sétimo capítulo (de 2010), que no Brasil ganhou o subtítulo “O Final”, era de se imaginar que a trajetória iniciada por John Kramer / Jigsaw (Tobin Bell) tivesse sido encerrada nas telonas. Mas, como para a indústria cinematográfica quase tudo é possível, eis que um oitavo roteiro foi imaginado para dar continuidade à série de terror de maior sucesso do mundo.

Sob a direção de Peter Spierig e Michael Spierig, a trama de “Jogos Mortais: Jigsaw” (Jigsaw) começa com a investigação sobre um novo assassinato cujas características remetem à ação de um velho conhecido da polícia. Mas, como explicar que os indícios levem a John Kramer, quando este morreu no terceiro filme da franquia? Pode parecer absurdo, mas o mais interessante é que faz sentido.

Logo descobrimos que há um grupo de pessoas sob a ameaça de alguém que se julga capaz de decidir se elas merecem continuar vivas. Através de confissões de erros cometidos no passado – e que sempre envolvem prejuízo a outros envolvidos – a manutenção de suas vidas é posta em jogo, como sempre com uma suposta chance de libertação (sim, o assassino mantém uma espécie de código de conduta bem intrigante e ‘justo’).

As armadilhas, grandes estrelas das produções anteriores continuam chamando a atenção e causando náuseas. Apesar de menos explícito do que em outros momentos já vistos, o roteiro permanece primando por cenas que envolvem muito sangue e mutilações originais. O uso de recursos clássicos como o gravador de fitas cassete e a aparição do icônico boneco Billy em seu triciclo também merecem destaque.

Há quem possa imaginar que muitas ações dos personagens poderiam acontecer de outra maneira, que seria impraticável que todos os acontecimentos tivessem uma forma tão linear, como se tudo fosse um grande quebra-cabeça (cujas peças de carne humana ainda são uma das formas peculiares de apresentação do protagonista). Mas, fazer isso só contribui para diminuir a experiência de se acompanhar este novo episódio.

Não tinhas grandes expectativas em relação a esta nova produção, talvez por isso mesmo, tenha me surpreendido positivamente. Apesar de raso, o roteiro consegue se segurar de maneira satisfatória e a possibilidade (viável ou não) do retorno de John Kramer promove a tensão necessária para que o espectador queira ver até aonde a trama chegará.

Ainda que a sequência final esteja longe de ser tão impactante quanto a do primeiro filme (viu por que não é bom comparar?) e tenham coisas bem óbvias desde muito cedo, a explicação para outras é dada no momento certo e conseguiu me impressionar. Mas, espero que, pelo bem da franquia – e da grande admiração de sua legião de fãs – mesmo a conclusão sendo claramente aberta, este tenha sido o “Game Over” definitivo.

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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