Crítica: “Juntos Para Sempre”

No capítulo 27 do livro “Juntos Para Sempre” (A Dog’s Journey), escrito por W. Bruce Cameron, o protagonista canino – que nesse ponto da história atende pelo nome de Max, faz a seguinte afirmação: “Na minha opinião ficar sem o cachorro deixa as pessoas tristes”. Os tutores sabem o quanto ele tem razão em suas palavras.

A adaptação cinematográfica da obra chega aos cinemas para fechar o ciclo iniciado em 2017 com “Quatro Vidas de um Cachorro”, do mesmo autor. É a conclusão da história do amado cachorro Bailey (voz de Josh Gad, na versão original) e todas as suas reencarnações para cumprir seu propósito.

Dessa vez, atendendo a um pedido de Ethan (Dennis Quaid), em seu retorno como filhote, Bailey passa a tomar conta da neta de seu tutor, CJ (interpretada nessa fase por Abby Ryder Fortson). A garotinha e sua mãe Glória (Betty Gilpin) vivem na fazenda – principal cenário do longa anterior – após a morte do filho de Hannah (Marg Helgenberger).

Mas a pacata rotina do lugar incomoda a pretensa candidata à cantora, assim como ela teme perder o dinheiro deixado como herança a sua filha – caso a menina fique sob a guarda dos avós – e a decisão de ir embora sem olhar para trás é tomada sem nenhuma culpa (ainda que ela não tenha a menor vontade de desempenhar seu papel de mãe).

Há uma passagem de tempo e agora CJ tem 11 anos (papel de Emma Volk). Ao lado de seu melhor amigo Trent (Ian Chen), ela acaba adotando aquela que seria a primeira versão de Bailey como seu protetor: a adorável Molly. A partir desse momento, a devoção e comprometimento da cadelinha são irretocáveis e comoventes.

A cada novo reencontro com “sua menina” (interpretada por Kathryn Prescott, na fase adulta), o querido peludo percebe o quanto é imprescindível cumprir a promessa feita a Ethan, já que a garota leva uma vida de negligência e total falta de amor por parte de sua mãe. Ele passa a ser, ao lado de Trent (agora vivido por Henry Lau), sua mais sólida base de sustentação emocional, seja nos momentos felizes ou nas grandes provações.

As versões de Bailey como Molly, Grandão e Max são um show à parte. A narração de seus pensamentos – como costuma acontecer em produções desse tipo – facilmente provoca lágrimas e reflexões, em especial para quem convive (ou já conviveu) com animais.

Há inúmeras mudanças em relação ao livro: a história original é bem mais complexa e trata de assuntos que se fossem levados aos cinemas, talvez dessem um aspecto muito “pesado” a um filme que precisa condensar 320 páginas em 108 minutos.

A boa notícia é que, mesmo havendo essas alterações, a produção dirigida por Gail Mancuso e que tem o próprio W. Bruce Cameron como um dos roteiristas é maravilhosa. As soluções pensadas para se adequarem à narrativa proposta em tela são perfeitas e conseguem fazer o espectador sentir-se ainda mais comovido de poder acompanhar a trama.

Imperdível para os que já amam os animais. Necessário para os que ainda não abriram os corações a esse privilégio.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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