Crítica: “Kubo e as Cordas Mágicas”

kubo-e-as-cordas-magicas-poster-criticaPare e pense por um instante. Não é difícil perceber que as jornadas dos heróis populares (das mitologias mais antigas às criações icônicas de histórias em quadrinhos) incluem sempre uma parcela – muitas vezes bastante generosa – de sacrifício. Grandes decisões que podem mudar radicalmente o rumo de quem as toma são o mote principal dos que desejam ser donos de sua própria história.

Assim é também a trama de “Kubo e as Cordas Mágicas” (Kubo and the Two Strings), belíssima animação em stop-motion, dirigida por Travis Knight, que tem na figura dos grandes samurais japoneses toda a simbologia de honra e luta que são fundamentais na busca por um destino promissor.

O início da produção mostra o pequeno protagonista – que ainda bebê tem um de seus olhos arrancados – tendo que fugir com sua mãe, de todos os perigos que outros membros de sua família representam: Rei Lua (voz de Ralph Fiennes) – seu avô, e suas tias maternas (Rooney Mara) – figuras cuja assustadora presença é marcada por máscaras sem expressão do Teatro Nô, um antigo gênero teatral japonês.

Com a responsabilidade de cuidar da mãe, que apresenta uma saúde bastante frágil, Kubo (Art Parkinson) vê em sua habilidade de criar histórias (e contá-las em pleno mercado do vilarejo em que vive) a oportunidade de conseguir manter a ambos. Os contos – que nunca têm um final – são complementados por melodias tiradas de seu shamishen, um instrumento musical de cordas carregado de magia, cujas notas musicais tornam-se formas animadas de origami – arte de dobradura que por si só já é encantadora.

Para manter-se em segurança, após a quebra de sua rotina, que incluía não ficar exposto ao mundo exterior após o pôr do sol, o garoto se vê obrigado a iniciar uma inesperada trajetória em busca de artefatos que pertenciam a seu falecido pai, e que juntos poderão lhe trazer benefícios.

Durante o percurso, ele não está sozinho. Uma sábia macaca falante (Charlize Theron) e um inusitado homem sem memória, cujo corpo e movimentos lembram os de um besouro (Matthew McConaughey), lhe farão companhia e serão os alicerces perfeitos para mantê-lo são e confiante. A aproximação de três personagens tão distintos e a explicação para tal cumplicidade devem comover os mais sensíveis (que até esse ponto, provavelmente já derramaram algumas lágrimas).

Na contramão de produções com ritmo e trilhas sonoras aceleradas, a animação do Estúdio Laika conquista pela simplicidade. Por trás da complexidade da técnica de stop motion (mostrada em uma cena durante os créditos), há uma mensagem sutil e delicada, quando até mesmo uma singela lanterna de papel ganha um significado imenso e cheio de sensibilidade.

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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