Crítica: “A Lei da Noite”

Ben Affleck fez a transição para de trás das câmeras desde o suspense “Medo da Verdade”, de Dennis Lehane. Os projetos cinematográficos continuaram em “Atração Perigosa” (2010), mas consolidou-se como cineasta de prestígio em “Argo” (2012), vencedor do Oscar de melhor filme em 2013. Desta vez, ele tentou se aventurar em “A Lei da Noite” (Live by Night). Além de protagonista, ele é também o roteirista, produtor e diretor – tentou ser tudo, mas acabou não tendo muito êxito em nada.

A atuação sem brilho de Ben é o que mais chama atenção. O ator trouxe para este longa o ar sombrio e semblante neutro de sua aparição como Batman, o que causou grande distanciamento e falta de identificação no público. Joe Coughlin, é um personagem que você quer gostar, mas que não abre espaço para criar uma empatia por ele.

A trama se baseia no livro homônimo, que integra a trilogia de Dennis Lehane, “Os Reis da Noite”, este foi o segundo encontro de um texto de Lehane, adaptado por Ben Affleck. Ele interpreta Joe Coughlin, filho de Thomas Coughlin (Brendan Gleeson), proeminente capitão de polícia de Boston. Joe foi um soldado que teve experiências traumáticas durante a Primeira Guerra Mundial, e volta para casa disposto a não servir mais aos interesses de terceiros.

De mocinho ele passa a fora da lei em segundos, não vendo vantagem em ser gângster, ignora as máfias irlandesa e italiana e segue roubando por conta própria, com a ajuda de seus amigos. Mas se dá mal ao cair aos encantos de Emma Gould (papel de Sienna Miller), amante do poderoso chefão local Albert White (Robert Glenister), e acaba preso.

Affleck como cineasta mostra neste começo uma Boston dos anos 1920, marcada pela oposição entre a vida glamorosa dos mafiosos e a banalidade do restante da cidade, num tom que remete a especialistas do gênero, como De Palma, Coppola e Scorsese.

Após a tentativa mal sucedida de ser um fora da lei em Boston e prometendo vingança a Albert White, Joe se muda para a Flórida e lá prospera às margens da legalidade, nos últimos dias da Lei Seca. Agora, apaixonado por Graciela, conhecida como “rainha do rum”, interpretada por Zoe Saldana.

Essa é uma das maiores produções a tratar do subgênero dos gângsteres, que há tempos não emplaca um filme de destaque no cinema. Para composição da obra, Affleck contou com grandes profissionais que conseguiram através da fotografia (Robert Richardson, vencedor de 3 Oscar) e da edição (William Goldenberg, também vencedor de um Oscar), transportar o público para determinada época citada no filme.

Assim como a vida de um gângster, o filme tem seus altos e baixos. Não é uma obra excepcional, mas vale ser conferida.

por Caroline Lima – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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