Crítica: “Liga da Justiça”

Amizades verdadeiras, trabalho em equipe, preocupação com o próximo, crença e manutenção de uma esperança primordial que nos move a cada dia. Valores aparentemente tão simples, mas que parecem estar cada vez mais perdidos no mundo em que vivemos. E, talvez por isso mesmo, quanto mais escassos se tornam, mais nos parecem imprescindíveis.

Desde o início da divulgação de seu material promocional, ficou bem claro que esses seriam os pilares que sustentariam a narrativa de “Liga da Justiça” (Justice League), umas das grandes apostas da Warner Bros. para esse final de ano, e é o que de fato vemos em tela durante seus 120 minutos de duração, de forma magistral e surpreendente.

Falar muito sobre a trama em si seria estragar a experiência de assistir com olhos curiosos e mentes abertas a um dos melhores resultados em termos de adaptação de quadrinhos para o cinema. Apesar de não apresentar alguns acontecimentos como vistos nas revistas, o longa consegue a sempre bem-vinda façanha de transportar toda a riqueza registrada no papel para as telas de modo a fazer os espectadores – sejam fãs prévios das histórias, ou não – sentirem que, de alguma maneira, heróis são reais.

Ao entrar na sala de cinema, de repente me senti como a garotinha que ficava encantada em frente à TV, acompanhando as aventuras dos “Superamigos”. Naquele momento, não havia atores interpretando papéis, tecnologia 3D ou efeitos especiais de ponta. Diante de meus olhos eram meus heróis de infância na tela, e me fizeram mais uma vez acreditar que é possível correr na velocidade da luz, lutar contra as mais diversas personificações do mal, controlar os oceanos, e o que sempre mais me fascinou: que um homem pode voar.

Já a partir da primeira cena, o longa dirigido por Zack Snyder (com a contribuição de Joss Whedon, que também é um dos responsáveis pelo roteiro, ao lado de Chris Terrio), mostra a que veio, e confirma que a emoção será uma das tônicas da história. Pequenos detalhes visuais, aliados a uma arrebatadora trilha sonora – cuja parte instrumental é mais uma bem-sucedida obra de Danny Elfman -, são merecedores de toda atenção. Os fãs de longa data se sentirão presenteados em vários momentos.

Como divulgado, os agora membros de uma equipe terão que lutar contra Steppenwolf – ou “Lobo da Estepe” (voz de Ciarán Hinds), que após a morte de Superman, pretende dominar o planeta com o poder conseguido através de artefatos conhecidos como Caixas Maternas. Se este não era o vilão que eles mereciam, era o que precisavam nessa primeira ação conjunta. Ter escolhido um antagonista de mais peso talvez fosse um erro, uma vez que, apesar de um visual que peca pelo uso de CGI, ele cumpre o papel de representar o mal que deve ser combatido, sem que com isso tire o foco do que interessa de verdade: a formação da Liga da Justiça.

Pelo lado do bem, foi gratificante ver o crescimento de personagens já conhecidos e a eficaz aparição de novos nomes. Ben Affleck finalmente convence e imprime respeito a seu Batman / Bruce Wayne. Gal Gadot reprisa o papel de Mulher-Maravilha / Diana Prince e mantém a excelência e qualidade vistas no filme solo da heroína. E a participação de Superman / Clark Kent faz com que Henry Cavill possa orgulhar-se de envergar a famosa capa vermelha e entre de vez na galeria de favoritos.

As novidades chegam sob a forma rude do Rei dos Mares, Aquaman / Arthur Curry, com Jason Momoa parecendo bem capaz de segurar um filme próprio. O homem mais rápido do mundo, The Flash / Barry Allen, ganha vida através da divertida interpretação de Ezra Miller, uma das melhores surpresas do longa. E Ray Fisher é o rosto do introspectivo Ciborgue / Victor Stone, cuja potência do corpo cibernético será de fundamental importância para o sucesso da missão.

O tom da narrativa é exatamente como imaginamos que deve ser uma relação entre amigos de verdade. Há espaço para momentos mais sérios, situações emocionantes e interações cômicas. E o melhor de tudo é que cada um acontece no tempo certo, oferecendo o ponto perfeito de equilíbrio.

Para fechar com chave de ouro, ainda há duas ótimas cenas adicionais. A primeira, um deleite para quem conhece os personagens das revistas;  a segunda, um importante indicativo do que esperar para a sequência das aventuras do grupo nas telonas.

Como fã dos quadrinhos da DC, saí muito satisfeita da sessão. Como cinéfila e entusiasta de adaptações cinematográficas, saí agradecida e feliz. Obrigada, Warner Bros.

Imperdível.

por Angela Debellis

 

Filed in: Cinema

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