Crítica: “Meu Amigo, o Dragão”

meu-amigo-o-dragao-criticaComo em outras ocasiões anteriores, o anúncio de que “Meu Amigo, o Dragão” (Pete’s Dragon) ganharia um remake, me causou sentimentos diversos, da ansiedade por rever personagens queridos da minha infância ao pavor da ideia de que a tecnologia atual acabasse por tirar a magia intrínseca ao clássico de 1977.

Mas, estamos falando de um produto com a marca Disney, que tem nas refilmagens e adaptações em live-action, um de seus maiores acertos dos últimos anos – vide a versão de “Cinderela” (de 2015) e o recente “Mogli – O Menino Lobo” – e isso costuma ser um excelente ponto de partida para acreditar no sucesso de novas jornadas cinematográficas.

Feitas as devidas mudanças/atualizações (entre as mais importantes: sai o Pete que foge dos abusos de uma família adotiva, entra o garotinho, também órfão, cujo relacionamento com os pais – e sua consequente quebra – já domina a telona e a atenção dos espectadores desde as primeiras cenas), o longa é uma daquelas preciosidades que deve agradar aqueles que, apesar de tudo, ainda consegue manter a pureza e a crença na magia em algum um cantinho de seu coração.

A trama, dirigida por David Lowery, gira em torno da inesperada amizade construída entre Pete (Oakes Fegley) e Elliot, um carismático dragão de olhos grandes e bondosos. A cumplicidade da dupla será posta em risco com a descoberta da criatura mágica por humanos – alguns com intenções não tão louváveis.

Robert Redford dá vida a homem simples, cujas histórias sobre um dragão morador da floresta local ganhou ares de lenda com o passar dos anos. Ele é pai de Grace (Bryce Dallas Howard), guarda-florestal que, por mais cética que tente ser, ainda nutre certa esperança de descobrir que tais contos são verdadeiros – o que pode ser visto no momento em que sabemos que foram eles que pesaram na escolha de sua profissão.

Pai e filha mostrarão ao pequeno protagonista que há possibilidade real de retomar a convivência em sociedade, ainda que isso implique em fazer opções nem sempre fáceis (como acontece em tantos momentos em nossas vidas). Além disso, caberá a eles impedir que Eliott sofra com a ganância de Gavin (Karl Urban) – lenhador que vê nessa incrível revelação, a oportunidade de ganhar fama e poder.

O longa é encantador. Seja por sua trilha sonora, pela fotografia belíssima (as filmagens principais foram feitas em uma floresta da Nova Zelândia), pelo sucesso em se recriar a figura de Elliot mantendo a graça e a essência do original, ou pela simplicidade/pureza de seu roteiro, tudo funciona de maneira a fazer com que não seja difícil sair da sala de cinema com uma vontade imensa de explorar lugares longínquos para, quem sabe, encontrar uma amizade verdadeira.

Imperdível.

por Angela Debellis

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