Crítica: “Meu Amigo Vampiro”

Amizades entre humanos mortais e criaturas fantásticas e /ou imortais costuma render histórias, no mínimo interessantes. Dessa vez, os protagonistas desse inusitado tipo de encontro são dois garotos: Tony e Rudolph, que chegam aos cinemas na animação “Meu Amigo Vampiro” (My Little Vampire).

A produção dirigida por Richard Claus e Karsten Kiilerich é baseada no best-seller homônimo da alemã Angela Sommer Bodenburg, publicado em 1979. Quase três décadas após o lançamento, e depois de já ter sido tema de um filme com atores reais em 2001, a história dos amigos é apresentada através de uma simpática animação, que de maneira inocente, consegue tratar sobre um tema ainda muito atual: a capacidade de conviver com o que nos parece diferente.

Tony é um garoto comum de San Diego, fã ardoroso de obras que tratam de assuntos sobrenaturais (entenda-se quadrinhos sobre vampiros) que, graças a um problema com o carro durante uma viagem, vai parar com os pais em uma espécie de pensão com ares de castelo. É lá que vai conhecer, de maneira inesperada, Rudolph, alvo de cobiça de um inescrupuloso caçador, que pretende exterminar com a família do “jovem” vampiro de 13 anos (comemorados há 300 anos).

A decisão de ajudar o novo amigo fará com que Tony viva grandes aventuras a seu lado, quando precisarão reencontrar os pais e a irmã de Rudolph, além de buscar soluções para o resgate do restante dos familiares, presos em uma cripta, pelo caçador e seu comparsa – responsável pela criação de todas as engenhocas usadas para a captura das criaturas da noite.

A animação é bastante simples, tanto na parte visual, quanto na narrativa em si, o que não é nenhum demérito. Através dessa singeleza, ela se torna direta e eficiente, tendo a mensagem central compreendida até mesmo pelas crianças menores – que devem compor a maior parte do público a se interessar pela ida ao cinema.

E é sempre fascinante perceber como certos discursos mantêm sua importância, mesmo com o passar de tantos anos. A necessidade de se entender, respeitar e atuar ao lado daqueles que não nos parecem tão semelhantes e próximos, parece ser algo que nunca saíra da pauta. Que esse mote continue ativo e cada vez mais abraçado pelos que querem viver de maneira justa em sociedade.

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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