Crítica: “Meu Amor por Grace”

Ah, o romance! Sim, um verdadeiro romance, preso ao clichê do amor proibido, ambientado no século passado – mais precisamente nos anos de 1920 – em uma ilha, no mínimo paradisíaca. E é claro, muito, mas muito sofrimento antes do final feliz – essa é a base para “Meu Amor por Grace” (Running for Grace).

O longa de David Cunningham conta a história de Jo (Ryan Potter) um órfão que perdeu a mãe para gripe espanhola e não sabe do pai. O garoto vivia escondido, pois a mãe temia por sua segurança, uma vez que para comunidade japonesa do vilarejo ele era considerado um “hafu” (termo usado para se referir a pessoa birracial, neste caso, etnicamente meio-japonês) e os mais supersticiosos acreditavam que “crianças hafu” traziam azar.

Na mesma ilha a pequena Grace (Olivia Ritchie), filha única da família mais próspera da região, também perde a mãe para a doença que levou a protetora de Jo. Para sorte do menino, chega ao povoado um médico europeu, Doc (Matt Dillon) que logo se afeiçoa a ele. Como Jo falava inglês e japonês, ele é a ponte entre os doentes locais e o médico, obrigando assim a população a aceitá-lo como membro fundamental da pequena comunidade rural.

A relação entre Jo e Doc se afunila a tal ponto que ele não pode ser considerado apenas um assistente do Doutor, ele é mais, é um filho. Mesmo que durante boa parte do filme ele se refira ao médico apenas como “Doc”, é notável o amor e a cumplicidade existentes entre os dois.

O título original “Running for Grace” faz tanto sentido, uma vez que Jo percorre toda a ilha que ele conhece em seus mínimos detalhes a pé, literalmente correndo para entregar remédios ou ajudar enfermos, que chega a ser desanimador a tradução não-literal para o português. Várias cenas giram em torno da velocidade e necessidade de correr do rapaz.

Outro clichê são as motivações do vilão, Dr. Reyes (Jim Caviezel, nada muito ousado ou inesperado, porém em alguns momentos é possível sentir um ódio latente pelo charlatão esperto.

Apesar de o longa levar o nome de Grace, a estreante Olivia Ritchie, não teve tanto trabalho assim para o desenrolar da trama, pois além de poucas cenas, a menina também teve poucas falas. Devemos lembrar que estamos falando de um amor dos anos 1920, não estranhe ver apenas trocas de olhares entre o casal e mesmo assim eles jurarem amor eterno, era comum para época.

Matt Dillon que já é veterano quando o assunto é atuação, dá um show. Não podemos negar o carisma do ator, que carregou a maior parte da carga dramática do longa com maestria. Ryan Potter também se saiu muito bem dando vida ao garoto de 17 anos castigado pela vida.

Dentre muitos pontos positivos presentes em toda trama, a fotografia e as paisagens são os maiores de todos, é quase impossível não agradar. Um espetáculo à parte.

O romance dramático de Cunningham veio para presentear quem gosta de um belo chavão: é leve, bonito, romântico e muito sensível em alguns momentos. Aquece o coração, e isso, em tempos tão turbulentos, é louvável.

por Carla Mendes – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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