Crítica: “Missão Cupido”

Talvez o fato mais interessante quando pensamos em produções do gênero comédia seja o fato de quão grande é o leque de opções que podem fazer o público rir. E como é agradável quando tal resultado é alcançado com simplicidade e sem muita pretensão.

Com roteiro de Rodrigo Bittencourt – que também está à frente da direção, a comédia nacional “Missão Cupido” surpreende ao contar uma história que traz vários elementos que poderiam ser considerados batidos, mas que juntos dão muito certo em sua proposta de divertir.

Miguel Bittencourt (Lucas Salles) é um jovem de bem com a vida – talvez até demais – que, logo após um acidente fatal, recebe a incumbência de tornar-se anjo da guarda de uma recém-nascida chamada Rita (vivida por Isabella Santoni em sua fase adulta).

Sem nenhuma experiência no que diz respeito a assuntos angelicais, o rapaz acaba cometendo proferindo palavras erradas (uma espécie de “praga”) e condenando sua protegida a uma vida sem encontrar o amor verdadeiro, apenas com relações passageiras.

Vinte e cinco anos depois, sob as ordens do “Presidente” (Rafael Infante) da Agência de Seguros de Vida “Miracle” – uma versão, no mínimo, diferente, das mais tradicionais representações tanto de Deus, quanto do Céu – Miguel tem que retornar a Terra para consertar seu erro.

O que o anjo não esperava era ter que travar uma batalha com a Morte (Agatha Moreira) em pessoa, que também desenvolve um quase obsessivo interesse na jovem. A manutenção da vida da protagonista será decidida através dos mais diversos – e absurdos – desafios entre os oponentes sobrenaturais.

Ainda que esse seja o trio principal, os demais personagens ajudam a tornar o longa ainda mais eficaz. Pela parte celestial, Rafael (Victor Lamoglia), o anjo conselheiro e demasiadamente seguidor de regras; Querubim (Daniel Curi), com sua versão caricata de um mafioso italiano; e Dona Marlene (Guta Stresser), secretária do Presidente, que nos faz questionar se nunca nos livraremos da burocracia.

Já pelo lado humano, há Carol (Thais Belchior), que, ao contrário de sua melhor amiga Rita, segue em uma incessante (entenda-se um pouco cansativa) busca pelo par perfeito.

“Missão Cupido” tem vários pontos positivos, mas vale falar sobre a construção da trama como se fosse uma história em quadrinhos, inclusive com o uso de animações (e a explicação para isso) e a opção por fazer em preto e branco as sequências em que a Morte aparece – destacando apenas o brilho de seus olhos, cuja intensidade se modifica conforme o que estiver acontecendo.

Quando um filme lida com a previsibilidade de sua narrativa e ainda assim prende a atenção do público, pode-se dizer que ele teve êxito. Este é o caso.

Vale conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido via streaming, a convite da H2O Films.

Filed in: Cinema

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