Crítica: “Morto não fala”

O cinema nacional caminha por diversas vertentes, mas devemos assumir que ainda hoje, é um desafio produzir um filme de suspense ou terror, e é inevitável ao pensar no tema não associar o horror nacional a José Mojica Marins ou simplesmente “Zé do Caixão”. Contudo, desta vez foi Dennison Ramalho – um exímio conhecedor e profissional experiente do gênero – que em seu primeiro longa trabalhou o roteiro e também dirigiu “Morto não fala”.

O longa é inspirado em um conto homônimo do jornalista Marcos de Castro,  e traz a história de Stênio (Daniel de Oliveira), um homem que trabalha no IML (Instituto Médico Legal) no período noturno. Já no início nos deparamos com sua estranha “habilidade” de falar com os mortos.

Morador de um bairro periférico, o protagonista é casado com Odete (Fabiula Nascimento) e têm dois filhos. O casamento não está indo muito bem e a esposa reclama constantemente do cheiro que, de acordo com ela, esta grudado no marido.

Tudo piora quando Stênio descobre através de um cadáver que Odete o está traindo com Jaime (Marco Ricca) e a partir disto trama um plano para se vingar do amante de sua esposa, sem considerar ou imaginar as consequências que tal decisão implicará a ele próprio ou a sua família.

O primeiro fato importante sobre o longa é que não há uma mínima explicação de onde vem esse “dom” do personagem. Ele fala com mortos e isso é normal, pelo menos para ele, já que mantém segredo para o restante das pessoas.

O roteiro deixa – propositalmente – alguns pontos em aberto. Embora seja um filme de horror, há poucos momentos de sobressalto, a grande aposta é mesmo em uma narrativa que prenda a atenção do espectador pela curiosidade em saber o que acontecerá com Stênio, seus filhos e com Lara (Bianca Comparato) que acaba se aproximando da família por uma série de acontecimentos.

Vale lembrar que grande parte do longa se passa em um necrotério, ou seja, cadáveres, órgãos, sangue, tudo natural. A grande aposta do diretor foi animar o rosto dos mortos, para que assim o corpo ficasse estático, não houvesse respiração ou piscar de olhos (como ocorreria caso as cenas fossem feitas por uma pessoa real) – contudo, o aspecto das animações não lembra o humano e tira o ar de assustador ou tenso que as cenas poderiam ter.

Daniel de Oliveira é um dos maiores nomes da nossa dramaturgia, não há papel que ela não desenvolva com maestria. É, sem sombra de dúvidas, versátil, e convence no papel de pai perturbado por seus próprios fantasmas.

O filme é uma grande produção, com um elenco competente, roteiro coerente e no mínimo interessante. Marca a estreia de Dennison em longa-metragens, que provavelmente não vai parar por aí.

A produção já é sucesso em diversos festivais mundo afora e vale ser conferida.

por Carla Mendes – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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